Biohacking: milionários investem em longevidade extrema

Biohacking deixou de ser nicho e já dita rotinas de executivos como Sarah Lomas, fundadora da REVIV. Ao amanhecer, em Londres, ela se deita sobre um tapete PEMF, entra em uma câmara de luz vermelha e ingere suplementos moldados por seu DNA e exames sanguíneos mais recentes.

O protocolo não termina aí: coletas de sangue mensais, análise mitocondrial, painéis de toxicidade, sauna infravermelha e ajustes diários na dieta — ovos com espinafre ou sopas ricas em nutrientes — compõem um cotidiano planejado para estender a vida.

Biohacking: milionários investem em longevidade extrema

Esse ecossistema de alto custo, que promete retardar o relógio biológico, cresce amparado por números expressivos. O Relatório Anual de Investimento em Longevidade de 2024 aponta US$ 8,5 bilhões aplicados no setor, valor mais que dobrado em relação ao ano anterior. Nos EUA, o mercado lidera; Europa e Ásia correm atrás, enquanto comunidades virtuais como o r/Biohackers somam 335 mil visitantes semanais.

O interesse vai além das fronteiras. Inspirado pelo documentário da Netflix “Don’t Die: The Man Who Wants to Live Forever”, o empresário Bryan Johnson viajou a Roatán, em Honduras, para injeções de terapia gênica não aprovadas pela FDA, a US$ 25 mil cada. Ele afirma ter freado o envelhecimento ao equivalente a um aniversário a cada 19 meses.

Lomas também cruza continentes em busca de intervenções. Em setembro, voou ao México para receber células natural killer (NK), técnica que coleta, expande e reinfunde glóbulos brancos do próprio paciente. O procedimento, ainda experimental, será repetido por ela a cada seis meses indefinidamente.

O fluxo constante de viajantes fomentou um turismo médico na fronteira México–EUA, onde clínicas oferecem células-tronco mesenquimais, exossomos e terapias NK. Um estudo de 2023 identificou dezenas de estabelecimentos em Tijuana sem licença da COFEPRIS, e o CDC relatou infecções resistentes ligadas a injeções não regulamentadas.

No outro extremo, cresce o chamado “movimento da longevidade lenta”. A estoniana Eva Maran, criadora do retiro Eha, trocou protocolos rígidos por pilares simples: sono, relacionamentos saudáveis, movimento diário, alimentação equilibrada e micronutrientes essenciais como magnésio, ômega-3, vitaminas D e K2. “A verdadeira longevidade nasce de hábitos consistentes, não de extremos”, diz.

Resorts de luxo seguem a mesma direção. No Conrad Maldives Rangali Island, o sono virou “o maior dos luxos”, enquanto no The Lakes by YOO, na Inglaterra, hóspedes combinam oxigenoterapia com caminhadas em florestas. Na Grécia, o Four Seasons Astir Palace une laser de baixa intensidade a banhos de mar, reforçando a ideia de que o bem-estar é o motivo principal da viagem.

A discussão de gênero também ganha força. Roxanne Pryor, fundadora da marca de cogumelos funcionais Superoom, critica métricas baseadas em fisiologia masculina. Após perder a menstruação por treinos HIIT e dieta cetogênica, ela defende rotinas que respeitem o ciclo feminino e condena a “otimização excessiva”.

Na estética, a britânica Alice Henshaw, da Skincycles, alerta para o marketing de tecnologias caras: “O básico é 80 % do resultado — sono, luz solar, proteína, movimento e menor estresse”. Segundo ela, consistência supera intensidade.

Mesmo assim, o fascínio por terapias avançadas persiste. Parcerias como REVIV, 10X Health (EUA) e M42 (Abu Dhabi) integram DNA, marcadores sanguíneos e estilo de vida para criar relatórios detalhados e tratamentos personalizados, de soros intravenosos a microesferas de suplementos.

O debate ético é inevitável: quem paga essa conta? Lomas cogita que usuários vendam seus próprios dados para bancar cuidados – opção que, diz, seria mais justa que entregá-los gratuitamente a grandes empresas. Modelos econômicos sugerem impacto bilionário: a UK Research and Innovation estima que um ano extra de vida saudável vale £5 trilhões à economia britânica.

No entanto, os fundamentos seguem acessíveis: sono adequado, alimentação balanceada, atividade física regular e gestão do estresse. Para Lomas, eles podem levar qualquer pessoa a viver bem até os 120 anos, desde que a família também desfrute dessa longevidade. “A saúde é a nova riqueza”, resume.

Resumo: das terapias gênicas de US$ 25 mil às caminhadas conscientes em retiros nórdicos, o biohacking atravessa a linha entre ciência promissora e promessa elitista. Enquanto a regulamentação corre atrás, especialistas convergem em um ponto: as escolhas diárias continuam sendo o caminho mais seguro — e acessível — para envelhecer com qualidade.

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Foto: Reprodução/ Netflix

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