Rainha de bateria trans Pepita garantiu, pelo segundo ano, o posto à frente dos ritmistas da Unidos de São Lucas e reforçou que sua presença no Sambódromo do Anhembi, em 2026, não ameaça o espaço de ninguém.
A cantora, atriz e empresária se tornou referência para a comunidade LGBTQIAPN+ após mais de dez anos nos palcos do funk e da televisão. Agora, canaliza boa parte da energia na folia paulistana, motivada por uma ligação afetiva com a escola, da qual o marido, Kayque Nogueira, também faz parte.
Rainha de bateria trans: Pepita defende espaço no Carnaval
O convite para assumir a coroa partiu do presidente da agremiação, Adriano Freitas, logo depois de Pepita brilhar como musa da escola. “Entendi que ali era o meu lugar e percebi que não estou tomando o lugar de ninguém. Estou seguindo um legado”, declarou a artista.
Para chegar confiante ao desfile de sábado (7), Pepita mudou a rotina. Depois de enfrentar um episódio de paralisia facial há dois meses, ela decidiu priorizar a saúde mental. “Invisto mais em psicoterapia do que em bolsas de luxo. Se a mente está forte, o corpo aguenta”, explicou.
A preparação física também ganhou reforço: além de uma hora de exercícios cardiovasculares logo cedo, Pepita adicionou outra sessão antes de dormir para garantir fôlego na avenida. Nas redes sociais, reduziu as aparições: “Só entro nos stories quando sinto muita vontade, prefiro ficar focada na resistência até a hora do desfile”.
O papel de rainha de bateria trans agrega responsabilidade extra. Para ela, estar na linha de frente da São Lucas simboliza um ato de resistência. “Ser Pepita é incômodo para os preconceituosos e sobrevivência para mim. A coroa vai além do brilho; representa mudança de história”, afirmou.
Mesmo reconhecendo avanços, Pepita sabe que o preconceito persiste. Há quem se recuse a entrevistá-la ou a chamá-la pelo título que conquistou. A artista, no entanto, prefere não alimentar polêmicas. “Ofereço minhas costas para quem me ignora e sigo firme com quem me acolhe”, disse, em declaração alinhada às reflexões de especialistas sobre diversidade no samba publicadas pelo BBC News Brasil.
Imagem: Victor Silvestre
Entre as inspirações pessoais, a cantora cita Eloina dos Leopardos e Jorge Lafond, pioneiros na quebra de barreiras de gênero no Carnaval. Também se emociona ao ver o filho, Lucca Antonio, de quase três anos, acompanhando seus ensaios. “Ele veste a camiseta da bateria, samba ao meu lado e entende que ali é a mãe dele. Esses momentos são o meu combustível.”
Questionada sobre conquistas, a artista lista a maternidade, a carreira consolidada e o respeito crescente dentro da avenida. “Aos 43 anos, chegar tão longe como mulher trans é vitória diária. Quero ver outras rainhas seguindo esse caminho e eu, da arquibancada, aplaudindo”, concluiu.
Com a faixa de rainha de bateria trans firmada, Pepita se prepara para mais um desfile que, além de celebrar a cultura popular, representa combate ao preconceito. No Anhembi, ela planeja mostrar que autoestima, disciplina e apoio comunitário formam a combinação essencial para transformar brilho em legado.
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Foto: Victor Silvestre


