Estudante trans na Uerj sofre ataques após aprovação

Estudante trans aprovada em Medicina na Uerj, a carioca Duda Odara, 19 anos, celebra a conquista do vestibular enquanto lida com uma onda de ataques transfóbicos e racistas nas redes sociais.

A jovem comemorou a notícia de que iniciará o curso de Medicina na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) publicando nas plataformas digitais: “Vai ter trans não-binária filha de camelô nesse curso, sim”. A frase bastou para que comentários de ódio tomassem conta de seus perfis, especialmente por ela ter preenchido uma das vagas reservadas pelo sistema de cotas raciais.

Estudante trans na Uerj sofre ataques após aprovação

Entre as críticas, o deputado estadual Bruno Souza (PL-SC) usou pronomes masculinos ao se referir à caloura, ignorando sua identidade de gênero. Já o fundador do MBL e pré-candidato à Presidência, Renan Santos, prometeu “acabar com todas as cotas” em vídeo publicado na plataforma X, alegando que beneficiados se tornariam “profissionais menos qualificados”.

Duda afirma que sua aprovação virou “token político” em ano eleitoral. Segundo ela, os ataques buscam deslegitimar as políticas afirmativas, principalmente depois de Santa Catarina sancionar lei que proíbe cotas em instituições mantidas pelo Estado.

Sistema de cotas e posição da universidade

Pioneira nas ações afirmativas desde 2003, a Uerj reserva 104 vagas para Medicina, dividindo-as entre ampla concorrência e cotas. Duda concorreu a 21 vagas destinadas ao seu grupo e obteve o 19.º lugar. A universidade, em nota oficial, classificou os ataques como “inaceitáveis” e reforçou que as cotas são legítimas e indispensáveis para reduzir desigualdades históricas.

Trajetória acadêmica marcada por esforço

Filha de camelô e ex-aluna de escola municipal, a estudante conquistou bolsa integral na Escola Parque, na zona sul do Rio, após quatro processos seletivos do Projeto Ampliar. O deslocamento diário de mais de uma hora e meia e as longas jornadas de estudo até 21h faziam parte da rotina. “Conhecimento é a única coisa que ninguém pode tirar de mim”, resume.

Antes de ingressar em Medicina, Duda cursou um ano de Biologia na UFRJ. A experiência, segundo ela, foi fundamental para cuidar da saúde mental e encontrar colegas com histórias semelhantes. “Quero ver pessoas como eu em posições de poder e representatividade”, afirma.

Diversidade como pilar da saúde pública

Para a futura médica, profissionais com vivência em realidades de vulnerabilidade são essenciais para um atendimento humanizado. Estudos sobre inclusão em faculdades, como o levantamento da BBC Brasil, corroboram a importância de equipes de saúde diversas para compreender barreiras de acesso a exercícios, alimentação e tratamento.

A Uerj informou que prestará apoio psicossocial à caloura e reiterou que a segunda revisão do sistema de cotas ocorrerá em 2028, mantendo o compromisso com a inclusão.

Foto: Reprodução/Instagram

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