Ameba em lente de contato contaminou o olho direito da terapeuta integrativa Nathália Soares, 38 anos, e a levou a um transplante de córnea urgente em Ribeirão Preto (SP).
A infecção ocorreu após a paciente higienizar as lentes com soro fisiológico entre julho e agosto de 2025. O hábito criou ambiente ideal para a proliferação da Acanthamoeba, protozoário capaz de provocar ceratite grave.
Ameba em lente de contato força transplante de córnea em SP
No início, Soares sentia apenas “areia” nos olhos, mas adiou a consulta por estar organizando a festa da filha. O quadro piorou e a primeira hipótese médica foi herpes ocular. Durante um mês e meio, ela seguiu tratamento antiviral, apresentou melhora e recebeu alta, até que a dor voltou duas semanas depois.
Buscando outra opinião, a terapeuta foi encaminhada a um especialista em córnea, que confirmou a ceratite por Acanthamoeba. Segundo o oftalmologista Cristiano Becker, do Hospital Nove de Julho, infecções desse tipo são raras, mas mais frequentes em usuários de lentes de contato. Dor intensa, sensação de corpo estranho, fotofobia e visão turva estão entre os sintomas principais.
Na manhã seguinte ao diagnóstico, Soares acordou sem enxergar pelo olho direito. Ela iniciou um protocolo experimental com miltefosina — medicamento normalmente destinado à leishmaniose — além de colírios manipulados aplicados a cada 30 minutos. Mesmo assim, o risco de perfuração corneana exigiu transplante urgente.
Dois dias após entrar na fila, surgiu um doador e a cirurgia foi realizada em 19 de janeiro de 2026, durando cerca de 40 minutos. A anestesia local passou e a paciente sentiu dor intensa irradiada pela cabeça, sendo medicada no pronto-socorro. A recuperação evoluiu bem, mas pontos soltos obrigaram novo procedimento.
O caso ganhou repercussão nas redes sociais depois que Nathália relatou a experiência no Instagram para alertar sobre práticas inseguras na limpeza das lentes. Lavar com soro fisiológico ou água da torneira, alerta Becker, aumenta o risco de contaminação pela Acanthamoeba, assim como nadar em piscinas ou no mar usando lentes.
A Academia Americana de Oftalmologia orienta o uso exclusivo de soluções apropriadas para limpeza e armazenamento dos dispositivos, além da troca periódica do estojo. Informações adicionais podem ser consultadas no site da American Academy of Ophthalmology, referência internacional em saúde ocular.
Imagem: pessoal
Entre as recomendações de prevenção estão:
- Não enxaguar nem armazenar lentes em soro fisiológico ou água corrente;
- Retirar as lentes antes de nadar, tomar banho ou entrar em saunas;
- Substituir o estojo a cada três meses e mantê-lo seco;
- Respeitar o prazo de uso indicado pelo fabricante e pelo oftalmologista;
- Consultar um especialista ao primeiro sinal de desconforto ocular.
Em relato à imprensa, Nathália reforçou que desconhecia o perigo de utilizar soro fisiológico para limpeza: “Achei que era mais seguro que a solução própria”. Hoje, ela aguarda a cicatrização completa e faz revisões periódicas para evitar rejeição ao enxerto.
O transplante de córnea é considerado a última alternativa quando tratamentos clínicos falham. No Brasil, o tempo médio de espera varia conforme a localização do paciente, mas casos com risco iminente de perfuração recebem prioridade.
Se você usa lentes de contato, fique atento às orientações especializadas e procure atendimento imediato diante de qualquer sintoma anormal. Essa é a principal lição do episódio que levou a terapeuta paulista a enfrentar a fila de transplantes.
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Crédito: Arquivo pessoal


