Sustenta Carnaval transforma fantasias da Sapucaí em renda

Sustenta Carnaval recolhe fantasias descartadas na Marquês de Sapucaí, converte resíduos em novos produtos e cria oportunidades de trabalho para mulheres em situação de vulnerabilidade social.

Segundo a idealizadora Mariana Pinho, o Carnaval do Rio de Janeiro gera cerca de 100 mil fantasias por ano. Embora as escolas resgatem 95 % desse material, ainda sobram aproximadamente 5 mil peças que antes seguiam para aterros, agravando o impacto ambiental da festa.

Sustenta Carnaval transforma fantasias da Sapucaí em renda

Criado em 2022, o projeto surgiu no barracão da Mocidade Independente de Padre Miguel, onde Mariana trabalhava na confecção de alegorias. Incomodada com o descarte de plásticos, tecidos e adereços, ela decidiu implantar o upcycling como resposta: cada fantasia pode emitir até 47,2 kg de CO₂ ao longo de sua cadeia produtiva, mais que o triplo da pegada de carbono diária de uma pessoa.

A iniciativa conta com apoio da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (LIESA) e da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb). Equipes fazem a coleta durante os desfiles; depois, plumas, lonas e estruturas são encaminhadas para triagem. Parte dos insumos é vendida por quilo a foliões que buscam fantasia de baixo impacto, e outra parte segue para oficinas que ensinam a transformar o material em bolsas, ecobags, porta-passaportes, biquínis e outras peças.

O braço social do Sustenta Carnaval se fortalece em parceria com o movimento Mulheres do Sul Global, que capacita refugiadas, mulheres negras, transexuais e chefes de famílias monoparentais. De acordo com Mariana, muitas participantes conquistam autonomia financeira, saem de relacionamentos abusivos e relatam melhora na saúde mental graças ao trabalho remunerado.

A figurinista Lohanne Tavares entrou na equipe há dois anos. Apaixonada pelo consumo consciente, ela já exibiu figurinos feitos com resíduos da Sapucaí em uma reunião do G20 realizada no Brasil em 2024. Para Lohanne, o projeto quebra preconceitos: “Com criatividade, essas peças viram roupas para o cotidiano, festas juninas ou qualquer evento cultural”.

Além de abastecer o mercado interno, o Sustenta Carnaval exporta materiais para o Carnaval de Notting Hill e para o Dendê Nation, em Londres, e mantém uma residência artística com a faculdade de Moda de Norwich, na Inglaterra. A orientação é clara: evitar desperdício e produzir peças que reaproveitem ao máximo cada quilo de fantasia.

Em pouco mais de dois anos, o projeto já retirou mais de 66 toneladas de figurinos da rota do lixo. No entanto, manter a operação também impõe desafios financeiros. Sede, impostos e salários pressionam o orçamento, principalmente no período pós-Carnaval. “Nossa esperança está em patrocínios que compartilhem nossos valores. Já recusamos propostas de empresas de glitter, porque o produto polui muito”, explica Mariana.

Apesar das dificuldades, a fundadora acredita que o futuro é promissor. A crescente busca por moda sustentável e a visibilidade conquistada nos desfiles reforçam a missão de unir preservação ambiental e inclusão social.

Para quem deseja aderir, as vendas por quilo acontecem na sede do projeto, na Gamboa, zona portuária do Rio, e as oficinas são divulgadas nas redes do Sustenta Carnaval. Além de garantir um look exclusivo, o consumidor reduz emissões de carbono e contribui para a geração de renda de centenas de mulheres.

Quer saber mais sobre iniciativas que unem beleza e sustentabilidade? Visite nosso especial de Beleza e Estilo e continue acompanhando nossas reportagens.

Crédito da imagem: Eliane Góes

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