Síndrome de Morris foi o diagnóstico que mudou a vida da criadora de conteúdo Letycia Rosa, hoje com 26 anos, ao descobrir que possui cromossomos XY — padrão usualmente masculino — mesmo sendo criada e se reconhecendo como mulher.
O primeiro sinal de que algo fugia ao esperado surgiu aos 15 anos, quando a menarca não ocorreu. Exames revelaram ausência de útero, ovários e trompas, e a jovem foi encaminhada a um hospital de referência, onde recebeu o diagnóstico de insensibilidade androgênica.
Síndrome de Morris: criadora revela DNA masculino aos 26
Durante dez anos, Rosa acreditou ter retirado “trompas” em uma cirurgia realizada aos 16 anos, mas em 2024, após retomar o acompanhamento médico devido a um quadro de depressão, soube que as gônadas removidas eram, na verdade, testículos. O choque aumentou quando a médica leu em voz alta seu prontuário: “cromossomo XY, intersexo”.
Descoberta tardia e impactos emocionais
A revelação desencadeou novo luto: “Perguntei à médica se isso significava que eu era um homem. Saí em choque”, contou. O desejo de ser mãe, nutrido desde a infância, também foi abalado. “Sempre sonhei em ter filhos”, lamentou.
Tratamentos e reavaliação do diagnóstico
Sem seguir corretamente a reposição hormonal indicada após a retirada das gônadas, Rosa passou por complicações ósseas e precisou de cirurgia no fêmur em 2025. Agora, médicos investigam se o quadro realmente é insensibilidade androgênica completa ou deficiência da enzima 17-alfa-hidroxilase, condição ainda mais rara.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a terapia hormonal é recomendada quando há risco de osteoporose, alterações cardiovasculares ou atraso no desenvolvimento de características sexuais secundárias. A endocrinologista Karen de Marca explica que “estrogênio e progesterona podem ser usados em pessoas com genitália feminina mas sem ovários, enquanto testosterona é indicada em casos específicos de micropênis”.
A importância de um acompanhamento multidisciplinar, com genetistas, endocrinologistas e psicólogos, é ressaltada pela Organização Mundial da Saúde em diretrizes sobre variantes do desenvolvimento sexual, que defendem escuta ativa e participação do paciente nas decisões sobre o próprio corpo.
Imagem: pessoal
A vida segue: metas de saúde e maternidade
Atualmente, Rosa iniciou terapia hormonal, faz suplementação de cálcio e reduziu o peso de 150 kg para 127 kg. Ela mantém o objetivo de tornar-se mãe: “Não sei se por adoção ou de outra forma, mas vou realizar esse sonho”.
Para quem vive situação semelhante, a criadora aconselha buscar informação e apoio especializado desde cedo, evitando interrupções no tratamento que possam trazer complicações futuras.
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Crédito da imagem: Arquivo pessoal


