Transar como um homem é a expressão que resume a nova postura de muitas mulheres que colocam o próprio desejo no centro da vida sexual, sem obrigatoriedade de envolvimento afetivo nem culpa posterior.
A recrutadora Mari*, 42 anos, diz que sempre viveu o sexo dessa forma: se o beijo agrada, ela vai para a cama, aproveita intensamente e encerra o contato quando o prazer termina. “Eu uso os caras para o meu prazer e vou embora”, afirma.
Transar como um homem: liberdade sexual feminina em foco
Fenômenos recentes, como o sucesso da música “P.I.T.T.Y.”, da rapper Nanda Tsunami, destacam essa inversão de papéis tradicionalmente atribuídos aos homens. A faixa, que ultrapassou 20 milhões de reproduções no Spotify, ironiza o estereótipo de que mulheres sempre buscam compromisso depois do sexo.
Para a psicóloga e sexóloga Fernanda Purificação, a frase “transar como um homem” não tem base biológica; trata-se de um reflexo cultural. “Somos ensinadas a reprimir a vontade. Quando ocupamos esse lugar de liberdade, o julgamento muda: o que seria autoconfiança masculina vira promiscuidade feminina”, explica. Segundo ela, não existe “hormônio do apego” que obrigue a mulher a se envolver emocionalmente após o ato.
Na prática, a criadora de conteúdo adulto Fernanda Nascimento, conhecida como Raposinha, confirma a análise. Ela busca o máximo de prazer sem apego: “Não preciso sentir algo para legitimar o sexo”. Quando homens se veem na posição de serem dispensados, diz, o ego deles costuma balançar.
Mari reforça que seu comportamento não é frieza; é honestidade sobre o que deseja oferecer. “Eles dizem que sou a mulher dos sonhos porque topo tudo. Mas não querem casar comigo, acham que minha liberdade ameaça a virilidade deles”, comenta.
O discurso de ambas esbarra no duplo padrão histórico apontado por pesquisas sobre gênero e sexualidade. Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde, equidade sexual está diretamente ligada a bem-estar físico e mental, mas normas sociais ainda impõem barreiras ao prazer feminino.
Imagem: Reprodução
A sexóloga Purificação defende que o foco deve ser responsabilidade afetiva e consentimento, não rótulos de “agir como homem ou mulher”. Ao humanizar o desejo feminino, desmonta-se a ideia de que o prazer da mulher precisa de autorização externa. “Precisamos falar mais sobre isso, explorar o próprio corpo e assumir o direito ao prazer sem pedir perdão”, conclui.
Aos olhos de Mari, a conclusão é simples: “Quero transar como mulher livre, do meu jeito. Se o parceiro não me satisfizer, parto para outra”. A mesma lógica vale para Raposinha, que enxerga na liberdade sexual uma forma de sabedoria e autoconhecimento.
No fim, a conversa sobre “transar como um homem” revela um movimento maior: mulheres que redefinem as regras, priorizam o próprio prazer e exigem igualdade de julgamento. É essa mudança que, pouco a pouco, reposiciona o debate sobre autonomia sexual feminina.
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