Violência sexual no Carnaval afeta metade das brasileiras

Violência sexual no Carnaval continua a ser uma preocupação urgente: pesquisa do Instituto Locomotiva, divulgada em 2024, mostra que 47% das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de abuso durante a folia.

O mesmo levantamento revela que sete em cada dez mulheres temem viver — ou reviver — episódios de importunação nos blocos, temor ainda maior entre mulheres negras. Apesar da frequência desses casos, 62% da população não sabe reconhecer ou reagir diante da violência, apontou o Índice de Conscientização sobre Violência contra as Mulheres (Instituto Natura/Avon, 2025).

Violência sexual no Carnaval afeta metade das brasileiras

Para a antropóloga Beatriz Accioly, o Carnaval não cria a violência, mas amplia práticas já naturalizadas no cotidiano. “A suspensão simbólica das regras sociais não suspende direitos”, reforça a especialista, que coordena políticas públicas pelo fim da violência contra meninas e mulheres no Instituto Natura.

O que é importunação sexual segundo a lei

Beijo roubado, puxão de braço, toques forçados ou cantadas invasivas configuram crime de importunação sexual desde a sanção da Lei 13.718/2018, detalhada no Portal da Presidência da República. Nessas situações, a polícia pode (e deve) ser acionada imediatamente.

O parâmetro central é o consentimento: se a ação ultrapassa o limite imposto pela vítima, trata-se de violência. Sinais como recuo corporal, negativa verbal ou insistência excessiva indicam a necessidade de afastamento e de busca por ajuda.

Como intervir de maneira segura

Ser “testemunha ativa” pode impedir que um abuso se concretize. Especialistas recomendam:

  • Reconheça pedidos discretos de ajuda, como o gesto de abrir e fechar a mão com o polegar sobre a palma.
  • Use a distração: aproxime-se como se conhecesse a vítima e proponha sair dali (“Oi, amiga, vamos ao banheiro?”).
  • Mantenha o grupo organizado, combinando pontos de encontro e rotas de retorno.
  • Acione autoridades próximas; mesmo sem certeza do delito, policiais podem averiguar com segurança.
  • Lembre-se: álcool não é consentimento. Pessoas embriagadas estão vulneráveis e não podem autorizar práticas sexuais.

Dicas para curtir a festa com mais segurança

Embora a responsabilidade nunca seja da vítima, algumas atitudes reduzem riscos:

  • Permaneça com amigos e monitore quem se afasta.
  • Não aceite bebidas de desconhecidos.
  • Defina pontos fixos de reencontro caso alguém se perca.
  • Identifique postos de atendimento e delegacias especializadas antes de sair.
  • Compartilhe localização em tempo real com pessoa de confiança.

Registro e coleta de provas

Na ausência de flagrante, a recomendação jurídica é buscar testemunhas e câmeras de segurança próximas ao local do abuso. Fotografar o espaço — não o suposto agressor — ajuda a polícia a solicitar imagens oficiais para investigação. Formalizar a ocorrência fortalece estatísticas e políticas públicas de enfrentamento.

Onde encontrar apoio

Além de delegacias especializadas e hospitais públicos, serviços como a Casa da Mulher Brasileira oferecem atendimento 24 horas. Durante o Carnaval, muitos municípios montam postos móveis de acolhimento próximos aos principais blocos.

Para aprofundar o tema e conhecer outros cuidados essenciais no dia a dia, visite o conteúdo disponível em nosso portal e continue acompanhando nossas reportagens especiais sobre saúde e bem-estar.

Crédito: Marie Claire Brasil

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