Brasileira vira advogada nos EUA depois de chegar ao país ainda criança, viver como indocumentada e enfrentar uma série de reveses pessoais e profissionais. Larissa, criada no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, hoje lidera um escritório de imigração que ultrapassa US$ 1 milhão em faturamento anual.
Nascida em Madureira e criada em Olaria, a advogada recorda a infância marcada por tiroteios e pela impossibilidade de brincar na rua. Aos 11 anos, em 2001, migrou com a família para Los Angeles, três meses antes dos ataques às Torres Gêmeas. Pouco depois, a família se fixou na Flórida, onde Larissa acelerou os estudos e se destacou em programas acadêmicos e esportivos.
Brasileira vira advogada nos EUA e fatura US$ 1 mi
Infância no Rio e adaptação na Califórnia
As lembranças da Zona Norte do Rio contrastam com o choque cultural e natural vivido na costa oeste dos Estados Unidos. Terremotos e o atentado de 11 de Setembro fizeram parte dos primeiros meses da jovem brasileira em solo americano. A mudança para a Flórida trouxe mais familiaridade graças à grande comunidade de compatriotas e à presença de produtos típicos em cada esquina.
Descoberta da condição irregular
No último ano do ensino médio, Larissa percebeu que sua trajetória não seguiria o mesmo caminho dos colegas: sem documentos, não podia concorrer a bolsas universitárias. O desânimo aumentou ao saber que o advogado contratado pelo pai para regularizar a família havia sido preso por fraude, deixando todos fora de status migratório.
O cenário mudou em 2012, com a criação do programa DACA, que concedeu permissão de trabalho a quem chegara aos EUA ainda criança. A regularização temporária permitiu que Larissa concluísse a faculdade de Justiça Criminal em Nova York e, posteriormente, prestasse o exame de admissão em Direito.
Violência doméstica e recomeço
Casada com um cidadão norte-americano, Larissa obteve o green card, mas enfrentou anos de violência doméstica. No último semestre da faculdade de Direito, dormia com uma faca debaixo do travesseiro e chegou a ser hospitalizada. Incentivada pela terapeuta, pediu o divórcio e perdeu o prazo inicial do Bar Exam, o equivalente à OAB.
Após ser aprovada no exame e demitida pelo escritório onde trabalhava, Larissa iniciou o próprio negócio em julho de 2019, com US$ 3 mil na conta e apoio de amigos que cederam espaço gratuito. A pandemia chegou em seguida, mas o foco na comunidade imigrante impulsionou o crescimento do escritório.
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Empresa milionária e foco na família
Hoje, o negócio ultrapassa US$ 1 milhão em receita anual. O atual marido, Caio, administra a parte operacional, enquanto Larissa cuida dos casos e da estratégia jurídica. Grávida do terceiro filho, ela mantém uma sala lúdica no escritório para que as crianças a acompanhem diariamente. A maioria das funcionárias é composta por mulheres, em busca de um ambiente de apoio mútuo.
Larissa costuma palestrar em escolas e aconselhar jovens sem documentos a conhecerem seus direitos. “Depois dos 18 anos, o problema é seu. É preciso aprender a navegar na situação”, diz. Para a advogada, o sucesso financeiro serve principalmente para “comprar tempo” com a família, preparar o jantar em casa e honrar o sacrifício feito pelos pais ao deixarem o Brasil.
Em síntese, a trajetória da carioca mostra que determinação e propósito podem transformar obstáculos em oportunidades, mesmo quando o ponto de partida é a indocumentação.
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