Antidepressivos na gravidez estão no centro de um alerta científico: interromper o tratamento quase dobra o risco de emergências psiquiátricas, aponta pesquisa apresentada no congresso da Sociedade de Medicina Materno-Fetal, nos Estados Unidos.
O estudo analisou 3.983 mulheres diagnosticadas com depressão ou ansiedade antes da gestação, todas com prescrição de inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) ou de serotonina e noradrenalina (IRSN) nos três meses que antecederam a concepção. A comparação entre quem manteve e quem suspendeu os fármacos mostrou diferenças marcantes ao longo dos nove meses.
Antidepressivos na gravidez: parar uso dobra emergências
Entre as gestantes que descontinuaram a medicação, a taxa de emergências psiquiátricas — episódios de risco de suicídio, overdose ou quadros psicóticos — chegou a 58 por mil no primeiro mês e 59 por mil no nono. No grupo que prosseguiu o tratamento, os índices foram de 37 e 29 por mil, respectivamente. Na média, a interrupção quase duplicou a probabilidade de crises graves.
Segundo a principal autora, Kelly Zafman, da Universidade da Pensilvânia, os resultados reforçam que a saúde mental deve integrar o pré-natal de forma estruturada. Ela lembra que, nos EUA, transtornos mentais já superam complicações obstétricas tradicionais como principal fator ligado à mortalidade materna. “Enfrentar a crise de saúde mental materna é essencial para reduzir a morbidade e a mortalidade”, declarou no comunicado oficial.
Apesar das evidências, muitas mulheres abandonam os antidepressivos por receio de efeitos no feto ou pressão social. Especialistas ressaltam que a decisão sobre continuar ou não com ISRS e IRSN deve ser individualizada, ponderando riscos e benefícios. A Organização Mundial da Saúde oferece diretrizes detalhadas sobre cuidados com a saúde mental durante a gravidez, disponíveis em seu portal (confira aqui).
A pesquisa evidencia ainda que os picos de vulnerabilidade ocorrem no início e no fim da gestação, fases de intensas mudanças hormonais e emocionais. Manter o acompanhamento psiquiátrico, portanto, torna-se estratégico para prevenir complicações como suicídio, parto prematuro, pré-eclâmpsia e baixo peso ao nascer.
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Para especialistas, os novos dados devem orientar políticas públicas e protocolos clínicos que incluam rastreamento de depressão e ansiedade, além de acesso facilitado a tratamentos seguros para mãe e bebê.
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