Lívia Chanes Nubank projeta recorde e prioriza pessoas — A executiva que assumiu o comando da fintech em janeiro de 2024 prevê que 2025 será o melhor ano financeiro da história da companhia, ao mesmo tempo em que reconhece: “gastaria mais tempo com as pessoas e menos com os números”.
Os resultados recentes da Nu Holdings, controladora do Nubank, reforçam a confiança de Chanes. Em 2023, a empresa registrou lucro de US$ 2 bilhões e, em outubro do mesmo ano, alcançou valor de mercado de US$ 76,9 bilhões, o maior entre as companhias brasileiras listadas.
Lívia Chanes Nubank projeta recorde e prioriza pessoas
Agora, já à frente de 9 mil funcionários distribuídos no Brasil, México e Colômbia, a CEO acredita que o segundo ano de sua gestão poderá superar todas as métricas anteriores. A fintech deve solicitar ainda em 2024 a licença para atuar oficialmente como banco, passo considerado decisivo para ampliar receitas e rentabilidade até 2025.
Com 43 anos e duas décadas de carreira, Chanes atribui parte do sucesso ao perfil analítico construído na Escola Politécnica da USP e em 10 anos na consultoria McKinsey. Mesmo assim, admite que a ênfase exclusiva em indicadores precisa ser equilibrada. “As pessoas resolvem os números”, afirma.
A líder reforça a importância de formar equipes que combinem autoconfiança com espírito crítico. Nas entrevistas, costuma perguntar aos candidatos o que fazem bem e o que não fazem, exigindo clareza sobre limites e disposição para o debate intelectual. “Procuro pontos de vista firmes, até controversos”, diz.
A visão de Chanes sobre gestão de talentos ganhou força após experiências pessoais e profissionais. Os dois filhos, de 7 e 10 anos, ajudaram-na a desenvolver mais paciência e sensibilidade, qualidades que agora considera centrais para manter o Nubank inovador e competitivo.
Para sustentar a expansão, a executiva apoia-se em aprendizados adquiridos no Itaú, onde liderou iniciativas digitais, e em cinco anos como diretora de banco antes de ingressar no Nubank. Esse histórico, segundo ela, contribuiu para passar de 30 milhões para cerca de 130 milhões de clientes desde que chegou à fintech.
Especialistas avaliam que o rigor estratégico citado por Chanes deverá ser decisivo na nova fase. De acordo com análise publicada pela Reuters, a licença bancária tende a diversificar produtos e fortalecer a base de receita recorrente do grupo.
Ao revisar a própria trajetória, a CEO ressalta que sua principal lição é simples: “Teria gastado mais tempo com as pessoas”. Essa autocrítica, diz, orienta a agenda de liderança nos próximos anos, com foco em cultura corporativa, inovação contínua e expansão internacional.
Imagem: Hanna Vadasz
Ela também mantém a recomendação do pai, professor da rede pública: “A reputação é nosso principal ativo”. Para preservar esse capital, Chanes investe em mentores, pares e familiares que a ajudem a manter “os pés no chão, mesmo no auge”.
No curto prazo, a prioridade é integrar ainda mais tecnologia e experiência do cliente, meta que inclui discutir produtos financeiros adaptados às realidades dos três mercados onde o Nubank opera.
Em paralelo, a companhia reforça programas de desenvolvimento interno, estimulando que líderes emergentes adotem o mesmo equilíbrio entre dados e relações humanas que Chanes busca consolidar.
A expectativa é que, com a futura licença bancária e a nova cultura centrada em pessoas, o Nubank entregue resultados superiores e sustente o crescimento de clientes e receita, mantendo-se no topo das fintechs latino-americanas.
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Foto: Hanna Vadasz


