Brasileira luta para reencontrar filho no Egito segue sem fim

Brasileira luta para reencontrar filho no Egito há quase quatro anos. Desde setembro de 2022, quando Adam Ahmed Tarek Aranha, então com três anos, foi levado pelo pai, o egípcio Ahmed Tarek Mohamed Faiz Abedelkalec, a mãe, Karin Aranha, mantém uma batalha judicial e diplomática para rever o menino.

A retirada da criança ocorreu sem autorização de viagem. O caso mobiliza Polícia Federal, Interpol e a Embaixada do Brasil no Cairo, além de ter repercussão internacional. Mesmo com decisão da Justiça egípcia, em novembro de 2025, que concedeu a guarda a Karin, o reencontro não aconteceu.

Brasileira luta para reencontrar filho no Egito segue sem fim

Na última segunda-feira (23), uma segunda operação de busca e apreensão no apartamento onde pai e filho viviam no Cairo acabou sem sucesso. “Eu senti que estava tão perto do meu filho”, contou Karin à revista Marie Claire. Segundo ela, o local era escuro, insalubre e abrigava sete pessoas. A investigação entra agora em fase criminal: Ahmed é acusado de ocultação de menor, crime previsto também na legislação egípcia, e a Agência de Segurança Nacional assumiu o monitoramento de ligações e redes sociais.

O nome de Ahmed está na lista de difusão vermelha da Interpol, alerta que solicita a captura de procurados no exterior. Adam foi incluído na difusão amarela, destinada à localização de crianças desaparecidas. Embora o Brasil seja signatário da Convenção de Haia sobre subtração internacional de menores, o Egito não faz parte do tratado, o que dificulta a cooperação entre os países, conforme informa o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Relacionamento marcado por violência e fuga internacional

Karin conheceu Ahmed em 2017 pelo Instagram. Depois de duas viagens ao Cairo, o casal resolveu morar no Brasil, onde se casou; pouco depois, ela engravidou de Adam. O menino, porém, nasceu nos Estados Unidos porque o pai não queria que tivesse nacionalidade brasileira. De volta ao Brasil com 28 dias de vida, Adam passou a conviver em um ambiente de tensão: a mãe relata agressões físicas já nos primeiros meses do bebê.

Durante a pandemia de Covid-19, a família se mudou para Valinhos (SP). Sem trabalho, Karin aceitou proposta do marido para buscar emprego no exterior e passou dez meses como faxineira na Inglaterra, enviando dinheiro regularmente ao Brasil. Em setembro de 2022, ao regressar, encontrou a casa revirada, documentos levados e R$ 15 mil em espécie desaparecidos. Cinco dias depois, Ahmed ligou por vídeo: estava no Egito com o filho.

A luta na Justiça brasileira e egípcia

A Vara da Família de Campinas determinou o retorno imediato da criança e proibiu novas viagens, mas a decisão já não podia ser cumprida. Em março de 2023, Ahmed levou Adam a um encontro com representantes da Embaixada brasileira no Cairo; três meses depois, mudou-se sem informar o novo endereço. Em outubro do mesmo ano, a 1ª Vara Federal de Campinas decretou a prisão preventiva do pai.

Para acompanhar o processo, Karin mudou-se para o Egito há quase dois anos. Sem rede familiar, vive de doações recebidas via redes sociais, onde sua página conta com 239 mil seguidores. Em novembro de 2025, os juízes egípcios reconheceram seu direito de guarda, revertendo decisão anterior que atribuía a custódia à avó paterna. A sentença destacou “boatos sem comprovação” usados para afastar a mãe e anotou que, após Karin se converter ao Islã em 14 de julho de 2024, não havia mais impedimentos religiosos.

Pressão diplomática e novo capítulo investigativo

Em 9 de fevereiro deste ano, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, telefonou ao ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdelatty, pedindo a devolução imediata de Adam, reforçando a decisão judicial local. O Itamaraty afirma que oferece apoio consular, tradução de documentos e intermediações constantes com autoridades egípcias.

Karin, porém, ainda não teve qualquer contato presencial com o filho desde 2022. “Eu entreguei nas mãos de Deus, mas sigo todos os caminhos legais”, diz. Agora, com a Agência de Segurança Nacional no caso, as autoridades egípcias podem usar interceptações para localizar pai e filho. Embora veja avanço, Karin pondera: “Não adianta ter a guarda no papel se o meu filho não está comigo”.

Ativismo contra a subtração de menores

O caso transformou a paulista em referência para outras famílias. Além de recorrer à mídia, ela visitou gabinetes de senadores em Brasília e discursou no Senado. “Se não fosse minha rede social, eu não teria como pagar advogados”, afirma. A exposição também lhe garantiu apoio financeiro para permanecer no Cairo e manter a mobilização.

O processo pode servir de alerta para casais binacionais: a ausência de tratados como a Convenção de Haia dificulta a execução de decisões judiciais e exige maior articulação diplomática. Enquanto isso, Karin segue aguardando a localização de Adam e a aplicação da ordem de guarda reconhecida pela Justiça do Egito.

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Crédito da imagem: Arquivo Pessoal

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