Gabz assume cabelo natural e relata que encontrar afeto nos próprios fios foi decisivo para fortalecer a autoestima, depois de anos entre estúdios de TV, batalhas de slam e longos deslocamentos diários pelo Rio de Janeiro.
A atriz e cantora, nascida em Irajá, recorda que, desde os 6 anos, atravessa 25 km para estudar artes na Zona Sul. Hoje, aos 27, grava a novela “Coração Acelerado”, às 19h, na TV Globo, depois de protagonizar “Mania de Você”, indicada ao Emmy 2025.
Gabz assume cabelo natural e exalta autoestima com afeto
Mesmo com a agenda apertada — a entrevista ocorreu numa sexta-feira de Carnaval, às 22h —, a artista garante que o trabalho “é viver 20 % da nossa vida; o restante é criar ferramentas para interpretar outra”. Esse ritmo começou cedo, com participações em “Teca na TV” (2007), “Ciranda de Pedra” (2008) e “Viver a Vida” (2009), onde viveu a versão infantil de Helena, personagem de Taís Araujo.
Percurso artístico e consciência racial
A transição da infância para a adolescência trouxe o impacto do racismo estrutural: “Existe uma fase em que não há papéis para crianças negras”, relembra. O sentimento de não pertencimento afastou Gabz dos estúdios, mas o hip-hop preencheu o vazio. No slam, encontrou voz, repertório político e senso de comunidade, elementos que considera fundamentais para retornar à televisão mais fortalecida.
Hip-hop e ativismo
Ao lado de outros jovens atores negros, Gabz reconhece a trilha aberta por precursoras como Zezé Motta e Taís Araujo. Ela destaca a responsabilidade de ocupar espaços antes negados: “Todo lugar em que piso é meu por direito”. Ao compor e rimar, a artista afirma que atua para “construir imaginários transformadores” e cita Lázaro Ramos como mentor na preparação para a protagonista Viola.
Identidade, cabelo e afeto
Na adolescência, alisou os fios, mas a transição capilar se tornou um marco identitário: “Com o cabelo liso, não me via nem feia nem bonita”. Hoje, exibe fios curtíssimos naturais e defende que a autoestima “não está na lace ou na maquiagem, e sim em não sentir ódio de quem somos”. O cabelo, explica, tornou-se território de cuidado e afeto diário.
A decisão ecoa pesquisas que associam aceitação da textura natural à melhora do bem-estar de mulheres negras, segundo estudo divulgado pela BBC Brasil.
Imagem: Bruna Castanheira Groupart Mgt
Vida pública na medida certa
Longe das câmeras, o cotidiano de conversas familiares, rodas de samba, terapia e religiões de matriz africana alimenta o amor-próprio que move sua arte. A relação com o ator e cantor Jaffar Bambirra, assumida em novembro de 2024, permanece reservada: “Não queríamos que o namoro fosse maior que nossas carreiras”.
Questionada diariamente pela avó — “Tá feliz?” —, Gabz responde com um “sim” que serve de bússola para escolher projetos e narrativas que evidenciem subjetividades de mulheres negras, até no sertanejo, gênero no qual interpreta Eduarda na nova trama.
Em resumo, a trajetória de Gabz demonstra que sentir-se bem “na própria pele” passa por aceitar o cabelo natural como símbolo de afeto e resistência. Se deseja mais histórias sobre cuidado capilar e autoestima, acesse também nosso conteúdo em https://melhorshampoo.pro/ e continue acompanhando a editoria.
Crédito da imagem: Bruna Castanheira (Groupart Mgt)


