As cantoras e compositoras Cátia de França, Josyara e Juliana Linhares dividem o palco do Coala Festival neste domingo (7), no Memorial da América Latina, em São Paulo, para celebrar a pluralidade feminina do Nordeste brasileiro. O encontro reúne três gerações da música nacional e ressalta a importância de a mulher nordestina contar a própria história, sem mediação de olhares externos.
Três trajetórias, um mesmo propósito
Paraibana radicada no Rio de Janeiro, Cátia de França despontou na década de 1970 com composições que abordavam resistência política e identidade afro-brasileira. Já a baiana Josyara, surgida nos anos 2010, vê urgência em ressignificar o imaginário sobre a região no presente. Potiguar, Juliana Linhares destaca a liberdade como legado que pretende deixar para as futuras artistas. As três afirmam que o Nordeste é múltiplo em sotaques, ritmos e vivências, mas unido pela coragem de suas mulheres.
Reversão de estereótipos
Questionadas sobre como subvertem visões estereotipadas da mulher nordestina, Josyara diz que o protagonismo feminino cresce à medida que compositoras “assinam suas criações e levantam pautas urgentes”. Cátia recorda que, nos anos 1970, ser “mulher, negra, nordestina, gay e compositora” já era um ato de afronta aos padrões, e valoriza a internet por ter reacendido o interesse de novos públicos em sua obra. Juliana cita Belchior para defender a “voz ativa” e afirma que, hoje, as próprias artistas “embarcamos em nossa canoa” para transformar percepções.
Diferentes gerações em sintonia
Embora tragam idades e formações distintas, as três enxergam mais pontos de convergência que de contraste. Juliana classifica o encontro como “mais delícia do que desafio”, enquanto Cátia ressalta a vitalidade aos 78 anos: “Pego meu violão com a força de quem vai defender o feijão com arroz”. Josyara acrescenta que o diálogo intergeracional reforça a ideia de um Nordeste plural, composto por realidades do litoral ao sertão.
Pluralidade de sotaques e timbres
A diversidade interna do grupo evidencia nuances culturais: o violão “rasgadão” de Cátia, o dedilhado de Josyara influenciado pelo Recôncavo Baiano e a mistura de coco e rock que marca Juliana. Para elas, essa fusão mostra que a música nordestina pode transitar do forró às sonoridades contemporâneas sem perder suas raízes.
Desafios comuns, força coletiva
As artistas reconhecem enfrentar xenofobia e machismo ao longo da carreira. No entanto, afirmam que a união de vozes ecoa mudanças sociais necessárias. Cátia destaca o papel histórico das mulheres que permaneceram no Nordeste enquanto muitos homens migravam: “A mulher nordestina é corajosa demais e faz esse território ser singular e diverso”.
Imagem: Divulgação
Legado para o futuro
Pensando no amanhã, Josyara prevê um repertório ainda maior de histórias e menos desigualdade. Cátia espera que permaneça o compromisso com a autenticidade e o orgulho das origens. Juliana visualiza “mulheres livres” em todas as esferas — pessoal, musical e sexual — como imagem que deseja perpetuar.
O show conjunto no Coala Festival simboliza esse coro que revisita o passado, dialoga com o presente e aponta caminhos para o futuro da mulheridade nordestina.
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