Comendo Londres, lançamento do jornalista pernambucano Daniel Buarque, confronta a antiga reputação de que a culinária inglesa carece de sabor e criatividade. Morador da capital britânica durante o mestrado no King’s College, o autor transformou as próprias vivências em uma investigação que combina história, cultura e comida.
No volume de pouco mais de 200 páginas, Buarque revisita pratos frequentemente ridicularizados, como haggis, black pudding e steak and kidney pie, e explica a origem de hábitos que levaram Londres a ser rotulada como destino gastronômico duvidoso.
Comendo Londres: livro de Daniel Buarque redefine gastronomia britânica
A obra compara os comentários mordazes de críticos — entre eles o ex-presidente francês Jacques Chirac, que certa vez disse a Vladimir Putin que “não se pode confiar em um povo que cozinha tão mal” — a um cenário contemporâneo que inclui pubs renovados, restaurantes estrelados e mercados pluralizados pelo multiculturalismo londrino.
Para sustentar a tese de que a mesa inglesa mudou de patamar, o autor reúne depoimentos de chefs e celebridades. Joël Robuchon declara no livro estar “convencido de que Londres é, gastronomicamente, mais viva, inovadora e aberta que Paris”. Também aparecem as vozes locais de Nigella Lawson, Jamie Oliver e Gordon Ramsay, nomes que ensinaram o mundo a olhar diferente para o fogão britânico.
Com humor, capítulos como “Feijão no café da manhã” e “Cerveja quente, viva!” intercalam relatos pessoais de Buarque em pubs, restaurantes do interior e conversas com moradores curiosos sobre como ele “sobrevivia” às refeições. O texto ainda oferece endereços para o leitor experimentar na prática a diversidade ressaltada pelo autor.
Buarque já havia explorado gastronomia em títulos anteriores — “Comendo a Grande Maçã”, sobre Nova York, e “Itália abaixo de zero”, biografia do gelato. Agora, volta o foco para Londres e pergunta: se a cidade é referência de modernidade, por que não levar esse atributo para o prato? A resposta percorre a história dos povos que formaram o Reino Unido e mostra como imigração, globalização e criatividade reposicionaram a culinária local.
Segundo levantamento citado no livro, Londres acumula hoje mais de 70 restaurantes com estrelas Michelin, sinal de que a velha piada do peixe empanado gorduroso embrulhado em jornal está ficando datada. Estudos sobre a evolução da mesa britânica, como os divulgados pela BBC, reforçam a narrativa da capital aberta a sabores de todo o mundo.
Imagem: Reprodução
Publicada pela editora Máquina de Livros, a obra de Daniel Buarque chega às livrarias em edição física e formato digital. O autor mantém ainda o perfil @danielcozinhaecome, onde compartilha bastidores da pesquisa e novas descobertas culinárias.
Em síntese, “Comendo Londres” convida o leitor a repensar estereótipos e a explorar uma capital que, além de museus e teatros, agora briga por lugar no roteiro mundial de boa comida. Para quem gosta de viajar pelo paladar, a leitura promete ser tão saborosa quanto um passeio pela Borough Market.
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Foto: Divulgação


