Câncer de mama foi o diagnóstico que transformou a rotina da cirurgiã oncológica Fabiana Makdissi, líder do Centro de Referência de Tumores da Mama do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo. Acostumada a conduzir operações, pesquisas e aulas sobre a doença, a médica passou a ocupar, aos 45 anos, o lugar de paciente após uma mamografia de rotina apontar microcalcificações suspeitas.
A biópsia confirmou carcinoma ductal in situ – estágio inicial, porém extenso, que exigiu a retirada total da mama direita e reconstrução imediata com prótese. Mesmo conhecendo as estatísticas de que uma em cada oito mulheres pode desenvolver o tumor ao longo da vida, a notícia abalou Makdissi, que se sentiu forçada a “engolir o choro” para continuar atendendo suas pacientes naquela mesma manhã.
Câncer de mama: cirurgiã vira paciente da própria equipe
Dois anos antes do diagnóstico, a cirurgiã assumira a chefia do setor exatamente em 8 de março, data que marca o Dia Internacional da Mulher e seu aniversário. Na época, dividia-se entre cirurgias, ensino e administração – rotina que a levou a postergar seus próprios exames preventivos por dois anos. “A mulher cuida de todo mundo, mas também precisa cuidar de si”, alerta.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama é o tipo mais comum entre mulheres, excluídos os tumores de pele não melanoma. Para Makdissi, essa prevalência explica por que mesmo especialistas não estão imunes ao risco: “Seria me achar especial imaginar que não pudesse acontecer comigo”.
Medo de perder a função das mãos impulsiona reabilitação
Após a mastectomia, a maior preocupação da médica era preservar a mobilidade dos braços e a sensibilidade das mãos – habilidades essenciais para quem passa horas na sala de cirurgia. Ela destaca que toda paciente submetida ao procedimento enfrenta algum grau de limitação funcional, o que torna a fisioterapia obrigatória no plano de recuperação.
No início da reabilitação, Makdissi só conseguia erguer 500 gramas com o braço operado; hoje, movimenta até quatro quilos. O processo incluiu sessões de relaxamento muscular ao fim de jornadas com até cinco cirurgias e, posteriormente, fortalecimento progressivo. A experiência rendeu convite para ingressar na Academia Brasileira de Medicina de Reabilitação, honra que a médica define como “um dos momentos mais gratificantes da carreira”.
Liderança reforçada pelo exemplo pessoal
Ao voltar às atividades, a cirurgiã passou a enfatizar ainda mais junto às pacientes a tríade prevenção, tratamento adequado e reabilitação. “O câncer não foi um presente, mas lembrou quem eu queria continuar sendo”, resume. Para ela, o acompanhamento não termina com a cirurgia nem com o fim da medicação; só se completa quando a qualidade de vida é restaurada.
Imagem: Divulgação
Makdissi também reforça a importância do autocuidado: consultas regulares, mamografia anual a partir dos 40 anos (ou antes, conforme indicação médica) e atenção a sinais como nódulos ou alterações na pele da mama. “Quando colocamos nossa saúde em segundo plano, assumimos riscos desnecessários”, conclui.
Ao celebrar 53 anos neste domingo, a cirurgiã oncológica usa a própria história para inspirar outras mulheres a priorizar a saúde. “Cuidar de si mesma não é egoísmo; é responsabilidade”, afirma.
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Crédito: Arquivo pessoal


