Charlize Theron transformou seu prestígio em ação social concreta por meio do Charlize Theron Africa Outreach Project (CTAOP), iniciativa criada em 2007 para fortalecer mulheres e jovens na África do Sul.
O projeto nasceu com foco na prevenção do HIV, mas evoluiu para identificar necessidades urgentes em comunidades carentes, financiar líderes locais e oferecer formação a novas gerações.
Charlize Theron apoia mulheres sul-africanas com CTAOP
Entre as frentes de atuação, o programa de bolsas universitárias da Universidade da Cidade do Cabo destaca-se. Destinado a jovens indicadas por organizações comunitárias, o benefício cobre 100% dos custos acadêmicos. Para concorrer, as candidatas precisam demonstrar desempenho escolar, potencial de liderança e compromisso em retribuir à comunidade.
Histórias que ganham voz
Onesimo, bolsista do CTAOP, relata que a ajuda eliminou a preocupação diária com o pagamento das mensalidades, permitindo-lhe focar nos estudos e em seu sonho de abrir uma biblioteca comunitária. Já Miché, fascinada por narrativas de sua região pós-apartheid, deseja ingressar no cinema para contar essas histórias e, futuramente, oferecer oficinas a jovens da township.
Outra beneficiária, Siphosihle, iniciou uma campanha para emissão de certidões de nascimento a crianças sem registro — obstáculo que limita acesso a saúde e educação. Atualmente, ela pesquisa gênero e transformação com o objetivo de apoiar jovens queer em ambientes escolares ainda marcados por violência.
Parcerias que ampliam o alcance
A Dior Beauty tornou-se aliada do CTAOP ao financiar o programa de bolsas e projetos comunitários. Cécile Lochard, diretora de Sustentabilidade da marca, visitou a África do Sul para conhecer de perto o impacto das ações e destacou o “efeito extraordinário” gerado pelas lideranças locais apoiadas.
Uma dessas lideranças é Lucinda Evans, criadora do centro Philisa Abafazi Bethu (“Curar Nossas Mulheres”) na Cidade do Cabo. Apoiada pelo CTAOP durante a pandemia, ela coordenou 21 cozinhas que serviram refeições ricas em proteína a três mil pessoas por dia, durante 19 meses.
Jardim terapêutico e proteção infantil
No complexo de Evans, o Jardim Mandala utiliza plantas medicinais para acolher mulheres vítimas de violência. O local abriga ainda a Baby Box, caixa de correio onde mães em situação extrema podem deixar recém-nascidos de forma segura; o dispositivo já salvou pelo menos cinco bebês.
Duas outras iniciativas funcionam no espaço: um programa de contraturno escolar, que oferece refeição diária, arteterapia e musicoterapia a crianças expostas à violência, e um abrigo emergencial para jovens LGBTQIA+ expulsos de casa.
Efeito cascata na comunidade
Para Theron, o diferencial do CTAOP é o comprometimento de longo prazo com quem conhece a realidade local. Esse modelo, afirma a atriz, gera “ondas de mudança” — conceito representado no logotipo do projeto.
Imagem: Lebogang Tlhako e Paola Kaducki
Número que ilustra a urgência: a taxa de feminicídio na África do Sul é cinco vezes maior que a média global, segundo dados oficiais reunidos pelo governo sul-africano e divulgados pela ONU. O CTAOP responde a esse cenário apoiando espaços seguros e oferecendo recursos para que mulheres liderem transformações em seus bairros.
Liderança jovem em foco
O Programa de Liderança Jovem, outra vertente do CTAOP, capacita adolescentes para que se tornem agentes de mudança. A proposta é simples: “Se quisermos chegar à raiz dos problemas, precisamos investir em quem está disposto a lutar”, resume Theron.
Para a atriz, ver um jovem de 16 anos levantar a mão, em plena township, para perguntar sobre o uso do preservativo feminino em relações homoafetivas mostrou que o projeto faz diferença ao criar ambientes de confiança e diálogo.
Permanecer e inspirar
Charlize Theron reconhece que a fama facilita o acesso a fundos e visibilidade, mas ressalta que o sucesso do CTAOP depende principalmente das lideranças femininas sul-africanas. “Uso minha voz para amplificar o que elas já fazem”, diz.
Seu desejo para o futuro é que a África do Sul alcance o potencial que possui, mantendo a esperança e a resiliência que o país demonstrou após o fim do apartheid.
O CTAOP prova que oportunidades acadêmicas, alimentação adequada e espaços seguros podem quebrar ciclos de violência e inspirar novas trajetórias. Um efeito dominó que começa com ações simples, mas bem direcionadas.
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Foto: Lebogang Tlhako e Paola Kaducki/ Dior Beauty


