Academia de Culinária da França: brasileira faz história é o marco que define a trajetória da chef Célia Miranda Mattos, 51 anos. Filha de um mecânico e de uma empregada doméstica, ela transformou a responsabilidade infantil pelas panelas em carreira internacional e, hoje, lidera uma destilaria de cachaça premium no interior paulista.
Nascida em Barra Bonita (SP), Celinha, como é conhecida, enfrentou empregos variados antes de abraçar a gastronomia: foi caixa de supermercado, secretária e professora de inglês. Em 2005, ao lado do marido Gustavo Dalla Colletta de Mattos, concluiu o Grand Diplôme da tradicional escola francesa Le Cordon Bleu, passo decisivo para sua ascensão no cenário gourmet.
Academia de Culinária da França: brasileira faz história
Em 2016, Celinha se tornou a primeira brasileira admitida pela Academia de Culinária da França em mais de um século. O feito, celebrado por ela como mulher preta em um meio majoritariamente masculino, confirmou seu lugar entre chefs estrelados de diversas nacionalidades.
Antes disso, o casal já havia fundado, em Paris, o projeto “Chez Nous Chez Vous”, jantares de alta gastronomia para até dez convidados em seu próprio apartamento. O menu secreto ganhou menção no Guia Michelin e foi listado pelo The New York Times como um dos melhores restaurantes clandestinos da capital francesa.
Do fogão às barricas de carvalho
Após 14 anos na Europa, Célia e Gustavo voltaram ao Brasil e abriram a Destilaria Octaviano Della Colletta, em Torrinha (SP), onde produzem a cachaça premium Alzira. O rótulo, premiado pelo design, reflete o compromisso do casal com qualidade, sustentabilidade e elegância, aproximando o destilado nacional da alta gastronomia.
A chef relata que, assim como nas cozinhas profissionais, o universo da cachaça é dominado por homens. Frequentemente, visitantes da fábrica se dirigem a Gustavo antes de perceberem que ela é coproprietária. “São 51 anos sendo uma mulher preta que sabe o seu espaço e faz com que o respeitem”, afirma.
Liderança e impacto social
Para além do negócio, Celinha aposta no afroempreendedorismo. Em Barra Bonita, mantém uma ONG que oferece reforço escolar, capacitação profissional e geração de renda a crocheteiras locais. “Empreender no interior movimenta a economia e mostra às mulheres negras que também podem liderar”, diz.
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A sustentabilidade é outro pilar. A cana-de-açúcar usada na destilaria é orgânica, com controle biológico de pragas. “Queremos tirar a cachaça do estigma de produto de fundo de quintal”, explica, ressaltando que a bebida é patrimônio nacional e merece processos impecáveis.
Referência para novas gerações
Inspirada por mulheres fortes da família — da avó materna à homenageada Alzira, avó de Gustavo —, Célia acredita que sua história redefine a noção de liderança no setor de bebidas premium. “Nunca imaginei empregar pessoas; hoje, busco mostrar às minhas sobrinhas e a outras mulheres pretas que isso é possível”, conclui.
O legado de Célia Miranda Mattos alia excelência culinária, inovação industrial e inclusão social, consolidando-a como exemplo de que barreiras podem — e devem — ser superadas.
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