Ana Maria Gonçalves Academia Brasileira de Letras tornou-se expressão de mudança em 2025, quando a autora de “Um Defeito de Cor” recebeu 30 dos 31 votos possíveis para ocupar a cadeira 33 da ABL.
A eleição, histórica por tornar a escritora a primeira mulher negra e a mais jovem entre os imortais, foi descrita por ela como “projeto coletivo de militância”, reforçando a urgência de transformar representatividade em presença efetiva.
Ana Maria Gonçalves entra na Academia Brasileira de Letras
Ao comentar o feito durante o Power Trip Summit 2025, a autora disse estar “cansada” de ser pioneira solitária e pediu que mais vozes pretas ocupem a instituição. Para Gonçalves, a conquista dialoga com sua trajetória de defesa da memória negra no Brasil.
Fora dos salões da ABL, a escritora acelerou dois projetos: a Terreiro Produções, incubadora de textos para teatro e literatura, e o Instituto Terreiro, voltado a consultorias e formação antirracista. As iniciativas propõem, entre outros pontos, democratizar o acesso às imagens que retratam o período escravista, hoje controladas por acervos privados.
A potência de “Um Defeito de Cor” segue ecoando. O romance foi eleito o melhor do século XXI por júri da Folha e inspirou o enredo da Portela em 2024, experiência que a autora classificou como “uma das mais incríveis” de sua vida. O trânsito entre literatura, samba e memória coletiva, segundo ela, é ferramenta pedagógica essencial para imaginar futuros mais inclusivos.
Gonçalves recorda que ainda são poucas as mulheres negras publicando romances no país. “A literatura me ensinou a imaginar novas possibilidades de futuro”, afirmou à revista Marie Claire. A frase sintetiza a postura da escritora, que defende políticas de memória e abertura de espaços antes inacessíveis.
Imagem: Alexandre Cassiano
Em artigo recente, a Folha de S.Paulo destacou o peso simbólico da eleição, ressaltando que o debate sobre diversidade nas academias se fortalece quando há ocupação efetiva de cadeiras por autores de origens diversas.
Para 2026, a autora pretende ampliar oficinas de escrita, parcerias com escolas públicas e ações que envolvam quilombos urbanos. “Há muito feito, mas ainda mais sendo construído”, disse, sinalizando que seu ingresso na ABL é apenas parte de uma agenda dedicada à memória preta.
Foto: Alexandre Cassiano/Agência O Globo
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