Angela Ro Ro morre aos 75 anos nesta segunda-feira (8), no Rio de Janeiro, em decorrência de uma parada cardíaca após procedimento cirúrgico.
Ícone da MPB, a cantora estava internada desde julho no Hospital Silvestre, no bairro do Cosme Velho, por complicações de uma traqueostomia realizada no mesmo mês e de uma infecção pulmonar.
Angela Ro Ro morre aos 75 anos após parada cardíaca
A informação do falecimento foi confirmada por Laninha Braga, ex-namorada que assumia os cuidados da artista. Segundo ela, Angela enfrentava dificuldades para retomar a agenda de shows devido à saúde frágil e chegou a pedir apoio financeiro aos fãs nas redes sociais.
Internação e complicações
Desde a cirurgia de traqueostomia, Angela Ro Ro necessitava de acompanhamento constante. A infecção pulmonar agravou o quadro, culminando na parada cardíaca que provocou sua morte. O hospital não divulgou boletim adicional, mas familiares informaram que não haverá velório aberto ao público.
Pioneirismo LGBT na música brasileira
Na década de 1970, Angela Ro Ro tornou-se uma das primeiras artistas de destaque a assumir publicamente sua homossexualidade. Em entrevista de 2024 à Folha de S.Paulo, ela declarou ser “uma lésbica diamante”, metáfora que reforçava seu orgulho e resiliência. A postura franca lhe rendeu episódios de violência na década de 1980, quando relatou ter sido espancada pela polícia e ter perdido a visão de um olho.
Carreira e vida pessoal
Dona de hits como “Amor, Meu Grande Amor” e “Gota de Sangue”, Angela lançou seu terceiro LP, “Escândalo”, em 1981, inspirado na canção homônima de Caetano Veloso. A música surgiu após a repercussão do relacionamento conturbado com a cantora Zizi Possi, rotulado pela imprensa como “escândalo”. No campo afetivo, ela falava abertamente sobre paixões intensas e mantinha humor afiado ao abordar sexualidade e envelhecimento.
Legado e futuro documentário
A trajetória da artista será retratada no documentário “Angela Ro Ro”, dirigido por Liliane Mutti e atualmente em fase de finalização. A produção promete reviver momentos marcantes da carreira, o pioneirismo LGBTQIAPN+ e a influência de Angela na cultura brasileira.
Imagem: Leo Martins
No auge de seus 75 anos, a cantora continuava engajada em apresentações pontuais, como o show “75 Anos de Amor à Música”, realizado no Teatro Rival, no Rio, no início deste ano. Mesmo longe dos palcos com frequência, ela reafirmava: “Continuo gay, continuo mulher, continuo gostando de ser feminina”.
Artistas e entidades culturais lamentaram a morte nas redes sociais, destacando a coragem da cantora em tempos de repressão e sua contribuição para a visibilidade lésbica no país.
Crédito da imagem: Arquivo pessoal
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