Angústia de estar online define o mal-estar crescente de quem permanece conectado ao celular ou às redes sociais praticamente o dia inteiro, segundo psicanalistas ouvidos por Marie Claire. Esse hábito, comparado a outras adicções, produz exaustão, insônia e sensação permanente de vazio.
O gesto aparentemente banal de desbloquear a tela, rolar o feed ou atualizar notificações torna-se um ritual para anestesiar sentimentos difíceis. Especialistas afirmam que a busca por amparo simbólico migrou do convívio humano para a interação com smartphones, prolongando um ciclo de carência que nunca se sacia.
Angústia de estar online desgasta saúde mental no Brasil
A lógica de atualização infinita cria um limbo: nem totalmente presente no mundo físico, nem plenamente satisfeito no digital. “Consumimos imagens como quem procura alimento, mas acordamos com mais fome ainda”, resume a psicanalista citada na reportagem original. Para ela, desligar-se de tempos em tempos devolve a sensação de presença e permite retomar desejos próprios.
Estudos da Organização Mundial da Saúde indicam que o uso excessivo de telas aumenta o risco de ansiedade e depressão em até 30%. A OMS recomenda pausas regulares e delimitação de horários para atividades on-line como forma de proteção à saúde mental.
Na prática clínica, profissionais observam que muitos pacientes desbloqueiam o celular sem propósito definido, tal qual quem abre a geladeira sem fome. “É mais fácil deslizar o dedo do que perguntar a si mesmo: o que eu realmente quero?”, explica a terapeuta. Reconhecer o padrão repetitivo e estabelecer limites — como deixar o aparelho em outro cômodo durante as refeições — são estratégias simples que reduzem a dependência digital.
A especialista lembra que desconectar-se não significa ausência, mas, sim, presença plena no aqui e agora. Ao recusar a atualização constante do imaginário coletivo, o indivíduo recupera tempo para projetos pessoais, descanso de qualidade e relações presenciais mais sólidas.
Imagem: Ilustração Hase
No Brasil, iniciativas de detox digital ganham força, com oficinas de atenção plena e aplicativos que bloqueiam notificações em horários determinados. A ideia central é “recolocar o fio no lugar certo”: manter a tecnologia como ferramenta, não como fio umbilical permanente.
Em síntese, reconhecer a angústia de estar online é o primeiro passo para reconfigurar a rotina e dar espaço ao que realmente importa. Pequenos gestos, como silenciar grupos ou estabelecer um dia semanal sem redes sociais, podem inaugurar uma vida que volta a pulsar fora das telas.
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Foto: Getty Images


