Ansiedade no trabalho ganhou dimensão alarmante entre as profissionais brasileiras: 7 em cada 10 mulheres relatam sentimentos negativos como desmotivação e angústia, segundo a terceira edição do Check-up de Bem-estar 2025, da plataforma corporativa Vidalink.
O levantamento ouviu 11.600 colaboradores de 250 grandes empresas e aponta que, enquanto 51% dos homens manifestam desconforto emocional no emprego, o índice salta para 70% entre as mulheres. Entre as entrevistadas negras, a insatisfação chega a 33%, acima dos 25% registrados entre brancas.
Ansiedade no trabalho afeta 70% das mulheres, indica estudo
A pesquisa mostra ainda que 38% das respondentes se queixam de dupla jornada, resultado da sobrecarga com tarefas domésticas e cuidados familiares; entre homens, essa proporção é de 24%. Entre as mulheres negras da Geração Z, o problema é ainda mais agudo: 26% dizem acumular responsabilidades, ante 19% de homens negros da mesma faixa etária.
Para Luis Gonzalez, CEO da Vidalink, o quadro demonstra um desafio estrutural: “Não estamos diante de uma falha de resiliência individual, mas de um sistema que impõe maior peso emocional às mulheres”, afirma. Essa leitura encontra respaldo em dados do Ministério da Saúde, que indicam que 70% dos atendimentos por burnout no SUS são destinados a elas.
O cenário de ansiedade no trabalho se reflete na busca por suporte: 16% das mulheres fazem terapia e 18% recorrem a medicamentos. Entre os homens, 39% da Geração Z declararam não adotar qualquer cuidado com saúde mental. Segundo a psicóloga Jaqueline Gomes de Jesus, do IFRJ, a sobrecarga feminina “combina múltiplas jornadas, barreiras de ascensão e maior exposição a condutas ofensivas”, resultando em esgotamento.
Outro dado que agrava o mal-estar é a diferença salarial: apesar da Lei da Igualdade Salarial, a remuneração feminina ainda é, em média, 21% inferior à masculina, conforme o 5º Relatório de Transparência Salarial. Esse abismo financeiro, alerta a diretora da Think Olga, Maíra Liguori, “limita a capacidade de reação das mulheres e perpetua o ciclo de endividamento e estresse”.
Imagem: Getty s
Em resposta, o Ministério do Trabalho e Emprego atualizou a Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que entra em vigor nacionalmente em 26 de março. A regra obriga as empresas a incluir riscos psicossociais—como estresse, assédio e sobrecarga—no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) até maio de 2026. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica essas ações como essenciais para mitigar transtornos mentais no ambiente corporativo.
Especialistas apontam que, além do cumprimento legal, as companhias precisam adotar políticas internas de equilíbrio entre vida pessoal e profissional, ampliar licenças parentais e investir em programas de diversidade. Somente assim será possível reduzir o índice de ansiedade no trabalho e melhorar a produtividade.
Resumindo, a ansiedade no trabalho afeta de forma desproporcional as mulheres brasileiras, impulsionada por sobrecarga doméstica, disparidade salarial e escassez de suporte. Empresas e sociedade têm papel crucial na reversão desse quadro.
Quer entender como o cuidado integral influencia seu dia a dia? Visite nosso hub de Saúde e Beleza e continue acompanhando nossas reportagens sobre bem-estar.
Crédito da imagem: Marie Claire


