Arbitragem feminina soma 3,5% dos convocados na Copa 2026

Arbitragem feminina ainda é minoria na Copa do Mundo masculina. Dos 170 profissionais anunciados pela FIFA para a edição de 2026, apenas seis são mulheres, o que equivale a 3,52% do total e marca a segunda participação feminina em quase um século de torneio.

Embora o número seja pequeno, ele reflete um processo gradual de inclusão iniciado no último Mundial, em 2022. Para Jéssica Soler, 24 anos, aluna do curso de arbitragem da Federação Paulista de Futebol (FPF), ver mulheres na lista confirma que há caminho para quem deseja seguir carreira apitando partidas de alto nível.

Arbitragem feminina soma 3,5% dos convocados na Copa 2026

“Se elas chegaram lá, eu também posso”, afirma Soler. O otimismo, porém, convive com barreiras históricas. A brasileira Daiane Muniz, integrante do quadro oficial da FIFA e com experiência em Jogos Olímpicos, foi alvo de comentário machista do zagueiro Gustavo Marques, que questionou sua escalação em jogo decisivo do Campeonato Paulista. O Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo suspendeu o atleta por 12 partidas e aplicou multa de R$ 30 mil.

O antropólogo José Paulo Florenzano, do conselho consultivo do Museu do Futebol, ressalta que o “apagamento histórico” da presença feminina no esporte faz parecer recente algo que remonta ao início do século 20. A ex-árbitra Sílvia Regina de Oliveira lembra que, depois de anos de ausência total, seis mulheres apitaram no Catar, em 2022, preparando terreno para a convocação atual.

No Brasil, o quadro feminino da FIFA subiu de sete para oito vagas em 2023 com a chegada de Gleika Oliveira Pinheiro, 34 anos, primeira paraense a alcançar o nível internacional. O incremento, segundo Sílvia Regina, mostra que a formação vem ganhando estrutura.

O curso da FPF é exemplo dessa expansão. Entre 90 matriculados, 11 são mulheres. O primeiro nível oferece teoria sobre regras de jogo; já o segundo aprofunda aspectos físicos, técnicos e psicológicos, com testes rigorosos e acompanhamento de percentual de gordura. As alunas contam com preparação específica e acesso a academia da federação.

Mesmo com suporte institucional, o maior obstáculo segue sendo a percepção externa. “Ainda não somos vistas com naturalidade, como se estivéssemos tomando um espaço masculino”, avalia Sílvia Regina. Jéssica recorda ter sido desencorajada pela família, formando-se primeiro em jornalismo para se manter próxima do futebol antes de optar pela arbitragem. Para ela, sustentar o equilíbrio emocional é tão crucial quanto dominar as regras.

Segundo dados oficiais da FIFA, programas de desenvolvimento específicos para árbitras estão em expansão, mas a entidade admite que a participação feminina precisa ultrapassar a barreira dos eventos pontuais e alcançar as principais ligas nacionais.

Apesar dos desafios, a presença de seis mulheres na Copa do Mundo de 2026 reforça que a igualdade, embora distante, avança passo a passo. O reconhecimento de punições a atitudes machistas e a abertura de cursos dedicados sustentam a expectativa de um cenário mais equilibrado nos próximos ciclos.

Quer continuar informado? Conheça também nosso conteúdo sobre saúde e beleza e acompanhe as próximas atualizações da editoria.

Crédito da imagem: Reprodução/Getty Images

Quando você efetua suas compras por meio dos links disponíveis em nosso site podemos receber uma comissão de afiliado, sem que isso acarrete nenhum custo adicional para você.
Rolar para cima