Assédio na empresa do MrBeast: brasileira relata abusos é a principal acusação trazida pela profissional de marketing Lorrayne Mavromatis, que trabalhou por três anos na companhia do youtuber norte-americano e agora move uma ação na Justiça dos Estados Unidos. A ex-funcionária afirma ter enfrentado assédio sexual, moral e irregularidades trabalhistas, além de discriminação de gênero.
Com mais de uma década de experiência em redes sociais, a paulista mudou-se para Greenville, na Carolina do Norte, atraída pela oportunidade de atuar na equipe de Jimmy Donaldson, o MrBeast, dono do maior canal do YouTube, com mais de 400 milhões de inscritos. O processo seletivo, segundo ela, envolveu o próprio criador e o CEO James Warren e foi concluído em poucos dias.
Assédio na empresa do MrBeast: brasileira relata abusos
Lorrayne conta que os primeiros sinais de ambiente hostil surgiram na semana inicial de trabalho. Uma ideia sua foi ignorada durante reunião, mas aprovada quando repetida por um colega homem. Nesse mesmo mês, diz ter sido abraçada de forma invasiva por um produtor, prática que se estendeu a outras mulheres. A denúncia interna não resultou em punição; o profissional acabou promovido, reforçando, segundo ela, a ausência de um setor de recursos humanos estruturado.
As queixas também alcançam o CEO James Warren. A brasileira relata convocações para encontros fora do estúdio, no segundo andar da residência do executivo, em uma sala escura com sofá de veludo e apenas um abajur aceso. Nessas ocasiões, ficava sozinha com Warren, que elogiava sua aparência e chegou a abrir o Instagram dela para comentar fotos de biquíni. Em um dos episódios, o executivo insinuou que MrBeast evitava contato visual porque se excitava com sua presença.
Outro ponto central do processo envolve a licença-maternidade. Embora tivesse combinado o afastamento ao entrar em trabalho de parto, Lorrayne participou de reuniões enquanto sentia contrações. Poucas semanas após dar à luz, foi pressionada a viajar ao Brasil para gravar conteúdo com o jogador Neymar. Mesmo em recuperação pós-parto, embarcou e, ao retornar, continuou recebendo tarefas. Duas semanas depois, apesar de ter apresentado um plano estratégico aprovado para 2026, perdeu acesso ao e-mail corporativo e foi demitida sob a justificativa de ser “qualificada demais”.
Segundo a ação, a violação da Family and Medical Leave Act (FMLA) — lei que garante ao trabalhador nos EUA o direito de decidir o término da licença com apoio médico — é clara, pois a empresa manteve contato e exigiu deslocamentos durante o período protegido. A ex-colaboradora afirma ter desenvolvido depressão ao longo do contrato, vendo o “sonho virar pesadelo”.
Imagem: Reprodução
Em nota, a Beast Industries nega todas as acusações. Alega que Lorrayne se voluntariou para trabalhar durante a licença e para viajar ao Brasil e sustenta que a demissão ocorreu durante uma reestruturação que afetou funcionários de diferentes áreas, sem vínculo com gênero ou histórico profissional. A defesa da companhia classifica o processo como uma tentativa de ganho financeiro e visibilidade.
O caso expõe contrastes entre a imagem pública de filantropia associada a MrBeast e as práticas descritas nos bastidores pela ex-funcionária. A Justiça norte-americana irá avaliar se houve, de fato, assédio na empresa do MrBeast e violação de leis trabalhistas.
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Crédito: Marie Claire


