Belize Pombal afirmou que a televisão precisa exibir mulheres negras para além de narrativas de sofrimento, destacando que “não dá para ficar só nas dores”.
No ar como Consuelo no remake de “Vale Tudo”, de Manuela Dias, a atriz comemorou a recepção calorosa do público e da crítica, ressaltando que o reconhecimento alcançou novos patamares sem, contudo, fazê-la sentir o “peso do estrelato”. Para ela, maturidade e fé foram cruciais para lidar com a intensa exposição do horário nobre.
Belize Pombal defende retrato positivo das mulheres negras
Durante os últimos dias de gravação da novela, Pombal contou que precisou ajustar rotina e cuidados médicos para manter a energia em sua primeira obra longa na TV — antes, a atriz participara de “Renascer” e “Justiça 2”. “Entendi o quanto é essencial me conhecer e me cuidar para honrar os compromissos que assumo”, disse.
Representatividade além da dor
Pombal frisou que personagens negros ganham força quando exploram toda a amplitude humana. “Precisamos falar das dores, porém não dá para ficar só nelas”, declarou, avaliando que retratos limitados reforçam estereótipos e afetam a percepção social. A atriz acredita que histórias de conquistas e alegria contribuem para “reformular o imaginário” sobre pessoas negras.
O posicionamento ecoa debate iniciado por Taís Araújo a respeito de tramas de sofrimento na mesma novela. Pombal, no entanto, disse estar “feliz e satisfeita” com o arco de Consuelo, personagem construída em parceria com texto, figurino e caracterização.
Recepção do público e impacto na carreira
Questionada sobre o retorno dos espectadores, a artista classificou a relação como “retroalimentada”: “É um relacionamento meu com a personagem, dela com o público e do público comigo”. O contato direto ampliou o alcance de um trabalho construído em mais de duas décadas de palco e tela.
Embora reconheça avanços, a atriz pondera que o Brasil ainda carrega heranças de escravidão e extermínio de povos indígenas, fatores que influenciam a leitura de fama para uma mulher negra retinta. “A possibilidade de erros serem acolhidos é menor”, avaliou.
Amizade, etarismo e autoestima
Na novela, Consuelo se envolve amorosamente com o filho de uma amiga, levantando discussões sobre idade e lealdade. Pombal disse jamais ter vivido situação semelhante, mas destacou que reações do público variam conforme raça e gênero. “Se o par fosse uma mulher negra retinta quase cinquentenária e um rapaz loiro, poucos chamariam de ‘casal fofo’”, argumentou.
Imagem: Catarina Ribeiro
Sua própria relação com o tempo é pragmática: “Ele é maior que nós. Valorizo-o cada vez mais”, afirmou, observando que assuntos como etarismo ganharam nome apenas recentemente. Sobre autoestima, confessou oscilações, porém ressaltou: “Gosto de mim e venho gostando cada vez mais”.
Trajetória, bicos e reconhecimento
Pombal lembrou que já se sustentou com diversos bicos antes de viver exclusivamente da arte. A virada, segundo ela, não ocorreu em um momento único, mas em “uma construção constante”. Ainda assim, estar no horário nobre traz impacto concreto: “O reconhecimento profissional é maior e abre oportunidades”.
Para o futuro, a atriz prefere planejar em passos curtos: “Quero continuar aprendendo, crescendo como profissional e mulher”. Ela espera que a visibilidade conquistada ajude a ampliar narrativas positivas sobre pessoas negras no audiovisual.
Segundo a BBC, representatividade diversa na mídia influencia diretamente a forma como sociedades enxergam grupos historicamente marginalizados, reforçando a relevância das reflexões apresentadas pela atriz.
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Crédito da imagem: Catarina Ribeiro


