Bloco feminista Casa da Dona Yayá volta às ruas de São Paulo neste domingo (8) para o 26º desfile consecutivo, levando ao Bixiga reivindicações por direitos das mulheres em pleno pré-Carnaval.
Nascido em março de 2000 com um simples triciclo, batucada de panelas e caixa de som, o cortejo é organizado pela União de Mulheres de São Paulo e mantém parada simbólica na Casa de Dona Yayá, casarão tombado em 1998 que hoje abriga o Centro de Preservação Cultural da USP.
Bloco feminista Casa da Dona Yayá cobra direitos no Carnaval
A origem do bloco foi a denúncia da violência manicomial sofrida por Sebastiana de Mello Freire, a Dona Yayá, confinada no início do século passado por “não se adequar” às normas patriarcais. Ao dar visibilidade à história da moradora ilustre, o grupo afirma “dar nome, voz e recusar o esquecimento”, segundo Laryssa Andrade, presidenta da entidade.
Memória de Dona Yayá inspira resistência
Ao longo do ano, integrantes promovem encontros para criar marchinhas autorais que tratam de temas como Lei Maria da Penha, defesa do SUS, legalização do aborto e combate ao racismo. Oficinas batizadas de “toró de palpites” reúnem cantoras, compositoras e musicistas para lapidar ideias surgidas de vivências diárias das mulheres.
A diversidade do coletivo, explicam as integrantes, fortalece o conteúdo político das canções, capazes de dialogar tanto com questões do Estado quanto com problemas do próprio bairro. Exemplos são marchinhas que já abordaram desde reorganização federativa (“Mazé”) até as “Lavadeiras de Saracura”, que expuseram pautas raciais a partir da história local.
Marchinhas politizadas abordam direitos femininos
Para 2026, o estandarte traz o nome “Sônia Livre”, em homenagem a Sônia Maria de Jesus, mulher negra e surda resgatada em 2023 após quatro décadas de trabalho escravo doméstico em Florianópolis e devolvida aos empregadores por decisão judicial. A escolha protesta contra a violência institucional e o aumento dos feminicídios registrados em 2025.
“Mesmo diante da dor, humor e escárnio também são resposta”, diz a organização, que transforma indignação em resistência festiva. O bloco rompe padrões tradicionais ao colocar mulheres na bateria, na composição e na gestão. A mestre de bateria Késia conduz a percussão sem a necessidade de “suporte masculino”, ilustrando o protagonismo feminino no Carnaval.
Imagem: Divulgação
Autonomia financeira mantém tom crítico
Realizar um bloco autônomo implica desafios logísticos e financeiros, acentuados, segundo a liderança, pelo corte de R$ 12 milhões no orçamento municipal destinado ao Carnaval de rua deste ano. Enquanto R$ 5 milhões foram repassados a uma igreja aliada à prefeitura, os blocos receberam apenas R$ 2,5 milhões, criticam as organizadoras.
A independência financeira, afirmam, garante liberdade para pautar temas que só um movimento feminista aborda “com potência e coerência”. Para conhecer mais sobre o casarão tombado que abriga o cortejo, o leitor pode acessar o site oficial do Centro de Preservação Cultural da USP, referência na preservação de patrimônio paulistano.
O desfile deste domingo parte do Bixiga, percorre ruas históricas do bairro e retorna à Casa de Dona Yayá, encerrando com rodas de samba e leitura pública de manifestos que cobram políticas públicas para mulheres.
Resumo: o Bloco feminista Casa da Dona Yayá transforma alegria em ato político, denuncia violações de direitos e reafirma o protagonismo das mulheres no Carnaval paulistano. Para continuar acompanhando pautas de empoderamento e cuidado, visite nosso conteúdo sobre Beleza e Estilo e siga conectado às nossas reportagens.
Foto: Divulgação


