Brasileira presa no Camboja há sete meses, a mineira Daniela Marys de Oliveira, 35 anos, será julgada em 23 de outubro sob acusação de posse e uso de drogas. A família afirma que ela caiu em uma falsa proposta de trabalho e foi vítima de tráfico humano.
Formada em Arquitetura pela UFMG, Daniela deixou o Brasil em 30 de janeiro após receber oferta para atuar em telemarketing no país asiático. Pouco depois da chegada, relatou à mãe que tinha o passaporte retido, não podia sair do alojamento e era vigiada durante as ligações.
Brasileira presa no Camboja enfrenta julgamento dia 23
Segundo a irmã, Lorena Oliveira, a arquiteta descobriu que o emprego envolvia aplicar golpes on-line e se recusou a participar. O grupo então exigiu multa de US$ 5,4 mil (cerca de R$ 27 mil), paga pela família, e, mesmo assim, policiais prenderam Daniela em 26 de março. Ela alega que cápsulas de droga foram plantadas em seus pertences.
Viagem motivada por busca de oportunidades
Antes de ir ao Camboja, Daniela morou cinco anos nos Estados Unidos, onde estudou inglês e trabalhou como motorista de aplicativo, e tentou carreira no mercado imobiliário em Belo Horizonte, Dubai e João Pessoa. A suposta vaga asiática prometia contrato de seis a 12 meses e salário em dólar, o que teria motivado a mudança.
Condições na prisão provincial
A brasileira está na Prisão Provincial de Banteay Meanchey, no norte cambojano, estrutura que, de acordo com relatórios da ONU, costuma operar acima da capacidade. Lorena conta que a cela abriga cerca de 90 detentas, sem banheiro adequado, e que itens básicos — água, comida e banho — são pagos em dólar. Uma garrafa de 500 ml custa US$ 3.
Apoio limitado do governo brasileiro
O Itamaraty informou ter conhecimento do caso e disse prestar “assistência consular cabível”, mas não detalhou ações. Segundo a família, nenhum representante do governo visitou Daniela desde a detenção. A ONG local Um Grito Pela Vida intermediou a contratação de um advogado que acompanha o processo desde abril.
Campanha e vaquinha para custear defesa
Com gastos estimados em R$ 60 mil, os familiares criaram uma campanha nas redes sociais e uma vaquinha on-line. Até agora, pouco mais de R$ 5 mil foram arrecadados para cobrir honorários, passagens e remédios. “Ela está só com a roupa do corpo”, diz Lorena, que atualiza a irmã sobre a mobilização durante raras ligações de até cinco minutos.
Imagem: Pessoal
Vídeo contestado e medo do julgamento
Um vídeo divulgado nas redes mostra Daniela, aparentemente, concordando com as condições de trabalho. A família submeteu o arquivo a ferramentas que identificam manipulação por inteligência artificial e alega 70 % de probabilidade de edição. O material já foi encaminhado à Polícia Federal, que não comenta investigações em andamento.
Próximos passos
O principal objetivo dos parentes é garantir intérprete, defesa adequada e eventual extradição. “Tudo o que queremos é que a justiça seja feita e que minha irmã volte para casa”, afirma Lorena.
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Crédito da imagem: Arquivo Pessoal


