Burnout foi o gatilho que mudou a vida de Lucy Rogério, de 25 anos, ex-estudante de Gestão Ambiental da Universidade de Brasília (UnB), que em 2023 abandonou a rotina frenética da capital federal para viver em São João Evangelista, um povoado de apenas 140 habitantes no coração do cerrado goiano.
A decisão ocorreu após uma pesquisa de campo no Parque Estadual de Terra Ronca, onde Lucy se encantou com a tranquilidade do local, o contato direto com a natureza e o estilo de vida pautado pelo plantio, pelo gado livre e pelo artesanato. Distante de farmácias, hospitais e centros comerciais, o povoado está a uma hora da cidade mais próxima, São Domingos (GO).
Burnout leva jovem a trocar cidade grande por cerrado
No laboratório da universidade e no emprego em Brasília, Lucy sentia o peso de jornadas exaustivas que culminaram no esgotamento físico e mental. O burnout já é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como síndrome ocupacional, e na vida da jovem se manifestou como crises de ansiedade e uso de medicamentos. A primeira visita a Terra Ronca plantou a semente da mudança definitiva.
Durante idas e vindas ao interior, Lucy conheceu Rafael, morador local com quem compartilhava reflexões sobre a vida urbana. A amizade virou romance e, ao regressar a Brasília para arrumar as malas, a universitária tomou a decisão irreversível: trancou a faculdade, pediu demissão e fixou residência no povoado. “Apaixonei-me primeiro por Terra Ronca e depois por ele”, conta.
Hoje, Lucy atua como taróloga on-line e guia turística dos complexos de cavernas considerados os maiores da América Latina. O trabalho segue o ritmo dos ciclos naturais: ela organiza roteiros à beira do rio, interrompe as atividades para contemplar o pôr do sol e encerra o dia observando o céu estrelado, algo raro na capital.
Redescoberta da autoestima em meio ao cerrado
Os primeiros meses trouxeram desafios inusitados, como a falta de creme capilar ou água quente constante. Sem acesso a produtos de beleza convencionais, Lucy adotou óleos vegetais locais para hidratar pele e cabelos. “Mesmo sem maquiagem, minha autoestima não abaixa; a natureza me mostrou quem eu realmente sou”, diz.
Em 2025, Lucy e Rafael celebraram a chegada de Flora, a primeira filha. Aos quatro meses, a bebê adormece ao som do rio e passa os dias ao ar livre, dispensando aparelhos de ruído branco comuns nas metrópoles. Para a mãe, criar a criança no cerrado reforça a conexão com o sagrado feminino e oferece uma infância mais tranquila.
Imagem: pessoal
Família e propósito: apoio que veio com o tempo
No início, a decisão de Lucy causou choque na família. Com o passar dos meses, porém, pais e parentes perceberam os benefícios da nova vida: menos medicação, menor ansiedade e saúde mental restaurada. “Minha mãe até cogita morar aqui”, afirma a jovem, feliz por ter trocado artigos acadêmicos por dias simples marcados por arco-íris e pela abundância do bioma.
O contraste entre o estresse urbano e a rotina calma do povoado destaca como mudanças radicais podem ser aliadas da saúde. Lucy não descarta retomar a faculdade no futuro, mas hoje prioriza o presente: “Aqui, a felicidade está nas pequenas coisas da natureza”.
Para quem enfrenta sintomas de esgotamento, a história de Lucy reforça a importância de identificar limites e buscar espaços que promovam bem-estar, seja na cidade ou longe dela.
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Foto: Arquivo pessoal


