Canetas emagrecedoras na menopausa: o que dizem os estudos

Canetas emagrecedoras na menopausa: o que dizem os estudos — Canetas emagrecedoras na menopausa tornaram-se esperança de controle do peso para mulheres que, mesmo mantendo dieta e exercícios, veem o ponteiro da balança subir com a queda do estrogênio.

A transição hormonal desloca a gordura do quadril para o abdômen, aumenta a resistência à insulina e eleva o risco cardiovascular. No Brasil, 62,6% das mulheres adultas já apresentavam excesso de peso em 2019, segundo o IBGE, e a prevalência de obesidade cresce entre 45 e 64 anos, faixa que coincide com o climatério.

Canetas emagrecedoras na menopausa: o que dizem os estudos

Semaglutida e tirzepatida, princípios ativos de Ozempic e Mounjaro, atuam em qualquer idade elevando a saciedade e retardando o esvaziamento gástrico. Entretanto, o pano de fundo hormonal da menopausa exige análise específica dos resultados clínicos.

Resultados clínicos recentes

O estudo Semalean (2026) acompanhou por 12 meses 106 pessoas com obesidade que usaram semaglutida; 68,9% eram mulheres com média de 52 anos. Houve redução média de 12,7% do peso corporal e queda de 18,9% da gordura total.

Já a pesquisa Select seguiu 17 mil pacientes por cinco anos e apontou diminuição de 20% nos eventos cardiovasculares graves. Contudo, uma subanálise divulgada em 2024 mostrou que a proteção não alcançou significância estatística entre mulheres, despertando debate sobre a necessidade de intervenção precoce antes do fim da fertilidade.

Impactos cardiovasculares

Especialistas lembram que o estrogênio protege o coração até a menopausa, mas o risco dispara depois. Para a endocrinologista Andressa Heimbecher Soares, adiar o tratamento da obesidade neste grupo é um erro: “Se eu retardo o tratamento, estou falhando com essa mulher”.

Massa muscular em foco

O temor de perda de músculo ganhou dados concretos no Semalean. Houve redução inicial de massa magra nos primeiros sete meses, estabilizada posteriormente; proporcionalmente, a massa magra aumentou e a força muscular melhorou. Para o nutrólogo Guilherme Giorelli, o perigo reside na alimentação inadequada: “O problema não é a caneta, mas comer mal por ter menos fome”. A orientação inclui priorizar proteínas e, se preciso, recorrer a suplementos.

Perguntas que a ciência ainda não respondeu

Faltam ensaios desenhados exclusivamente para mulheres na pós-menopausa. Variáveis como terapia hormonal, tempo desde a última menstruação e uso concomitante de progesterona oral não foram controladas nos grandes trials. Em consultório, há recomendação de monitorar a absorção da progesterona durante o escalonamento da dose e, se necessário, migrar para vias transdérmicas.

Diretrizes de saúde global, como as da Organização Mundial da Saúde, reforçam que obesidade é doença crônica e requer abordagem multifatorial, incluindo mudanças no estilo de vida e, quando indicado, medicação.

Em resumo, as evidências iniciais apontam que canetas emagrecedoras na menopausa podem reduzir peso e gordura com segurança, mas aspectos cardiovasculares e hormonais ainda demandam pesquisas focadas nesse público.

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Crédito da imagem: Divulgação

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