Cecília Malan relata rotina de correspondente internacional

Cecília Malan relata rotina de correspondente internacional há 15 anos em Londres pela TV Globo, conciliando plantões de breaking news, interferências ao vivo e a busca constante por contexto em meio a crises globais. A jornalista, de 43 anos, abriu as portas de casa e compartilhou detalhes sobre trabalho, família e saúde mental.

A carioca, filha do economista Pedro Malan, vive em um apartamento iluminado na capital britânica, onde guarda lembranças da filha Olimpia e relíquias herdadas da avó. Entre livros e peças de tricô, a repórter mantém o equilíbrio entre o ambiente acolhedor do lar e a urgência permanente do noticiário internacional.

Cecília Malan relata rotina de correspondente internacional

Disparos de alertas no celular compõem a trilha sonora diária de Cecília. “Qualquer jornalista de hard news vive num ritmo acelerado”, conta. A pressão cresce em coberturas como o atual conflito no Oriente Médio: “Recebemos informações fragmentadas de várias fontes; nosso desafio é explicar o que acontece e por que acontece”.

Para oferecer esse panorama, a repórter reforça a importância de checar fatos, entrevistar especialistas e contextualizar decisões que moldam a geopolítica. Segundo levantamento das Nações Unidas, mais de 110 conflitos armados ativos exigem acompanhamento jornalístico constante, cenário que amplifica a responsabilidade dos correspondentes.

A jornalista destaca que cada telejornal tem linguagem própria, exigindo adaptação rápida. Foi assim no Brexit, em que entrevistou o ex-premiê David Cameron, e volta a se repetir em transmissões sobre a reorganização da ordem mundial: “Estamos presenciando mudanças que impactam até países longe do epicentro da guerra”.

Manter a mente sã tornou-se prioridade. Cecília faz terapia, pedala por Londres e investe em treino de força após o diagnóstico de Parkinson da mãe. “A ideia do jornalista robô não existe. Precisamos cuidar de nós mesmos para continuar informando”, afirma.

Criada entre Estados Unidos e Brasil, a repórter foi alfabetizada em inglês e só descobriu os gibis da Turma da Mônica para aprender português aos 14 anos. A trajetória multicultural, reforçada por temporadas em Paris e casamento com um francês, a ajuda a transitar por diferentes realidades com naturalidade.

No campo profissional, Cecília ingressou na Globo pelo Programa Estagiar, passou pelo Bom Dia Brasil e, seis anos depois, foi enviada a Londres como produtora. Na capital britânica aprendeu a gravar, editar e entrar ao vivo, experiência que descreve como “adrenalina pura”.

Entre os pontos altos da carreira, além do Brexit, ela cita entrevistas com vítimas de catástrofes e histórias de brasileiros no exterior. “Gosto do desafio de decifrar o mundo”, resume. O amadurecimento diante das câmeras também veio com erros: “Hoje sou mais gentil comigo mesma; perfeccionismo absoluto é inviável”.

Longe da TV, a repórter dedica tempo à filha e cultiva relações sem pressa. Solteira, diz que toparia casar novamente, mas “em casas separadas” — contanto que o pretendente more em Londres. Sobre voltar ao Brasil, mantém portas abertas, mas prioriza a convivência de Olimpia com o pai francês.

A aparência, antes vista como rígido cartão de visita na televisão, ganhou leveza após os 40 anos. Cecília adotou cabelo curto e estilo menos formal, refletindo mudanças no próprio jornalismo, hoje mais aberto à autenticidade dos profissionais que aparecem na tela.

Para o futuro, ela planeja continuar contando histórias que ajudem a audiência a compreender um cenário internacional cada vez mais complexo. “Nada acontece por acaso; cada fato tem raízes históricas que precisamos revelar ao público”, conclui.

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Crédito da imagem: WILLIE RUNTE / Reprodução

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