Como se desapaixonar é a pergunta que surge quando uma relação torna-se tóxica, mas o desligamento emocional parece impossível. Especialistas em saúde mental indicam que o primeiro passo é reconhecer a ambiguidade da paixão, capaz de oscilar entre prazer e dor.
O termo paixão deriva de “pathos”, que significa sofrimento. Por isso, segundo psicólogos clínicos, insistir em um vínculo que machuca costuma revelar um padrão de repetição: tentar, inconscientemente, resolver feridas antigas aceitando novas cotas de sofrimento.
Como se desapaixonar: especialista explica primeiros passos
Pesquisas da área apontam que persistir em relacionamentos marcados por ausência, promessas não cumpridas e instabilidade gera um tipo específico de “gozo”, baseado na esperança de que, num próximo esforço, a história dolorosa finalmente se encerre. Esse mecanismo faz com que a vítima confunda amor com punição, reforçando a dificuldade de rompimento.
Para iniciar o processo de desligamento, profissionais reforçam a importância de se perguntar: “Que necessidade tento suprir ao permanecer aqui?” Esse exame ajuda a romper o circuito repetitivo do sofrimento e a deslocar o foco para o próprio bem-estar. A cura, explicam, não está em apagar o sentimento, mas em redirecioná-lo para experiências que ressoem com a identidade de cada um.
Casos clínicos analisados pela Federação Brasileira de Psicoterapia mostram que a prática da autopercepção — por meio de terapia, diário pessoal ou grupos de apoio — é determinante para diferenciar desejo genuíno de carência. “Quando o amor tranquilo parece sem graça e o amor que falta ganha intensidade, é sinal de que a busca não é pela pessoa, mas pela validação”, resume a psicóloga Andrea Melo.
Outro ponto ressaltado é a revisão de crenças sobre valor próprio. Muitos indivíduos cresceram associando afeto a esforço extremo. Ao identificar essa raiz, torna-se possível substituir a lógica de “merecer amor” pela de “compartilhar amor”, abrindo espaço para vínculos mais saudáveis.
O processo, no entanto, é gradual. “Não existe chave que desliga o sentimento da noite para o dia”, destaca Melo. A estratégia sugerida envolve limitar contatos desnecessários, fortalecer a rede de apoio e retomar atividades que gerem prazer autêntico, como esportes ou práticas artísticas.
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Sempre que necessário, recomenda-se procurar ajuda profissional. Segundo reportagem da BBC News Brasil, intervenções terapêuticas aumentam significativamente a capacidade de reconhecer padrões abusivos e de estabelecer novos limites emocionais.
Ao fim, desapaixonar-se significa permitir-se desejar relações que não exijam sofrimento como prova de valor. É escolher caminhos que pulsam sem violência e que favoreçam a construção de afeto recíproco, seja como amigos, parceiros ou na decisão de seguir rumos distintos.
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