Como se proteger de homens violentos tem sido uma dúvida cada vez mais comum entre mulheres, diante do aumento histórico dos casos de feminicídio no Brasil em 2025. Delegadas ouvidas explicam caminhos seguros para consultar processos e, principalmente, como perceber comportamentos de risco antes que a violência aconteça.
Nas últimas semanas, uma guarda civil do Espírito Santo viralizou ao perguntar: “Antes de se apaixonar, você já pesquisou o CPF dele?” A gravação ensina a usar sites oficiais para checar possíveis antecedentes. Mas, segundo especialistas, apenas a pesquisa on-line não basta.
Como se proteger de homens violentos: sinais de alerta
A delegada Ivalda Aleixo, diretora do DHPP de São Paulo, lembra que o Brasil não possui um banco de antecedentes criminais totalmente público, pois o acesso é limitado pela Lei Geral de Proteção de Dados e, em geral, precisa do consentimento do investigado. Mesmo assim, há alternativas em Tribunais de Justiça estaduais, no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para verificar mandados de prisão, e ainda em serviços privados como o JusBrasil.
Contudo, o famoso “nada consta” não garante que o homem não seja violento. Podem existir inquéritos policiais em andamento, processos arquivados ou absolvições que não aparecem nas buscas públicas. “A ausência de registro não significa ausência de risco”, frisa a delegada Monique Lima, titular da 6ª Delegacia de Defesa da Mulher de São Paulo.
Limitações das consultas on-line
Entre os principais problemas está o falso negativo: o agressor ter histórico de violência que permaneça sigiloso. Medidas protetivas urgentes, processos sob segredo de Justiça e registros policiais não judicializados costumam ficar fora das bases abertas. Dessa forma, apoiar toda a decisão afetiva apenas em buscas digitais pode criar falsa sensação de segurança.
Comportamentos que acendem o alerta
Para as delegadas, observar atitudes no dia a dia é fundamental para se proteger de homens violentos. Sinais clássicos incluem:
- Histórico de violência justificado pelo próprio agressor;
- Agressividade repentina;
- Controle disfarçado de cuidado, como exigência de localização;
- Narrativa constante de vítima (“todas as minhas ex eram loucas”);
- Testes de limite e invasão de espaço;
- Insistência após receber um “não”;
- Oscilação emocional estratégica (muito intenso, depois frio);
- Ciúme precoce;
- Desqualificação sutil, piadas depreciativas e comentários que minam a autoestima;
- Lacunas na história pessoal ou versões contraditórias;
- Tentativa de isolar a mulher de amigos e familiares;
- Desresponsabilização: culpa sempre atribuída a terceiros.
Como agir diante dos sinais
Ao identificar qualquer desses indícios, a recomendação é interromper o contato e buscar ajuda imediata em delegacias especializadas ou pelo número 180, que funciona 24 h. Manter rede de apoio ativa, registrar ocorrências e guardar provas — mensagens, e-mails, áudios — também fortalece futuras denúncias.
Imagem: www.kaboompics.com
Ferramentas e precauções recomendadas
Coletar informações em bases públicas segue útil, desde que aliado à análise comportamental. Para isso:
- Consulte o nome completo nos Tribunais de Justiça estaduais e no CNJ;
- Pesquise variações de nome e cidade de residência;
- Guarde prints das consultas para referência futura;
- Desconfie de quem se nega a fornecer dados básicos ou reage com agressividade.
Adotar essas medidas reduz riscos, mas não elimina a necessidade de observar atitudes no cotidiano. Como reforça a delegada Aleixo, “muitos autores de feminicídio nunca foram condenados, mas já apresentavam padrão de risco evidente”.
Para aprofundar a prevenção e fortalecer a autoestima, confira outras dicas em nosso portal e continue acompanhando nosso conteúdo de serviço público.
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