Cuidados com a pele negra exigem atenção especializada

Cuidados com a pele negra ganharam novo destaque após a divulgação do dossiê “Brasil à Flor da Pele”, conduzido pela L’Oréal Beleza Dermatológica, Instituto Datafolha e Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). O levantamento mostra que só 41% das pessoas negras já consultaram um dermatologista, evidenciando a lacuna de acesso e informação sobre a saúde cutânea desse grupo.

Especialistas alertam que mitos, como a falsa ideia de que a pele escura dispensaria protetor solar, adiam diagnósticos e comprometem tratamentos. Sem orientação adequada, cresce o risco de subdiagnóstico de dermatoses, atrasos terapêuticos e maior incidência de efeitos adversos ligados à inflamação e à pigmentação.

Cuidados com a pele negra exigem atenção especializada

Historicamente, a literatura dermatológica foi construída majoritariamente a partir de peles claras, o que deixa critérios diagnósticos menos validados para fototipos mais altos. A dermatologista Katleen Conceição, coordenadora do Setor Pele Étnica da SBD-RJ, explica que essa ausência de dados robustos impacta diretamente o consultório, gerando protocolos de laser, peelings e uso de ácidos pouco adaptados às necessidades da pele negra.

Um dos mitos mais prejudiciais é o de que a melanina dispensaria fotoproteção. Embora o pigmento ofereça fator natural equivalente a FPS 13,4, ele não bloqueia totalmente radiação UVA, UVB e luz visível. “Pessoas negras também sofrem fotoenvelhecimento, melasma e podem desenvolver cânceres cutâneos agressivos, como o melanoma”, ressalta Conceição. Por isso, filtros de amplo espectro, preferencialmente com cor, devem ser aplicados diariamente e reaplicados em exposições prolongadas.

Mitos que comprometem o tratamento

A maior atividade melanocitária faz com que a pele negra pigmente com facilidade após qualquer agressão, aumentando a incidência de hiperpigmentação pós-inflamatória. Além disso, há predisposição a queloides em áreas como tórax, ombros e mandíbula. Acne, melasma, cicatrizes hipertróficas, foliculites e dermatite atópica figuram entre as queixas mais comuns.

O tratamento dessas condições exige controle rápido da inflamação para evitar manchas residuais. Abordagens muito agressivas podem piorar a coloração da lesão. Para reduzir o risco de queloides, recomenda-se evitar procedimentos desnecessários em regiões de risco, tratar inflamações precocemente e seguir rigorosamente orientações pós-procedimento.

Proteção solar é rotina de saúde

O câncer de pele em pessoas negras costuma ser diagnosticado tardiamente, reflexo da percepção equivocada de menor vulnerabilidade. A SBD reforça que protetor solar é cuidado de saúde pública, não mera questão estética. Fórmulas com FPS alto, boa cosmética e tonalidade que minimize o “filtro esbranquiçado” aumentam a adesão. Em melasma, a combinação de fotoproteção consistente e tratamento contínuo é essencial, pois a condição é crônica e sujeita a recidivas.

Para aprofundar orientações sobre fotoproteção, a Sociedade Brasileira de Dermatologia mantém guias e campanhas educativas que detalham recomendações para todos os tons de pele.

Informação, pesquisa e acesso não devem ser privilégio estético, mas parte do direito básico à saúde. Incluir a diversidade de fototipos na prática clínica garante diagnóstico precoce, protocolos precisos e resultados que preservam autoestima e dignidade.

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Foto: Divulgação

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