Custo mulher: carreira feminina pesa até 2 vezes mais — o termo resume o impacto financeiro adicional que recai sobre profissionais do sexo feminino. Além da desigualdade de oportunidades, dados apontam que conquistar e manter espaço no mercado pode custar o dobro em comparação aos homens.
Chamado de pink tax, o fenômeno atinge desde produtos de higiene até gastos ligados à ascensão profissional. Pesquisas indicam que executivas acumulam 49% mais formações acadêmicas e 87% mais certificações do que colegas homens, aumentando a fatura de cursos, pós-graduações e eventos.
Custo mulher: carreira feminina pesa até 2 vezes mais
O peso também aparece no guarda-roupa corporativo. Enquanto um homem consegue circular por anos com três ternos e sete camisas, muitas mulheres renovam peças constantemente, investem em acessórios, maquiagem e manicure semanal para atender a padrões de apresentação ainda valorizados em cargos de liderança.
Desigualdade salarial persiste mesmo com nova lei
Mesmo gastando mais, a remuneração não acompanha o investimento. O Relatório de Transparência Salarial e Igualdade, do Ministério do Trabalho, mostra que gerentes brasileiras recebem 25% menos que homens na mesma função. Entre mulheres negras, o rendimento cai para 67% do salário de colegas não negras.
A discrepância se agrava após a maternidade: segundo levantamento europeu, a renda de mães pode encolher 20% por até 15 anos após o parto. Somados todos esses fatores, um estudo do National Women’s Law Center estima perda de até US$ 400 mil (cerca de R$ 2,1 milhões) ao longo de 40 anos de carreira para mulheres brancas; entre negras, o prejuízo dobra.
Estratégias para enfrentar o custo mulher
A legislação brasileira determinou, em 2023, igualdade salarial para funções equivalentes, prevendo multa para empresas infratoras. No entanto, especialistas defendem ações individuais enquanto o problema estrutural persiste. Consultoria financeira independente, negociação abrangendo salário, bônus e benefícios, além de pesquisa de faixas salariais em plataformas como Glassdoor, são recomendações frequentes.
Outra tática é adotar a perspectiva de mentora ao definir a própria pretensão salarial, evitando pedir valores menores do que indicaria a uma colega. Durante entrevistas, o conselho é aproveitar o momento de maior poder de barganha para discutir remuneração e jornada.
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Por fim, criar círculos de confiança e falar abertamente sobre ganhos fortalece a troca de referências salariais. De acordo com dados do IBGE, mulheres já representam 60% das salas no último ano da faculdade, o que reforça a importância de transparência entre futuras lideranças.
Em síntese, enfrentar o custo mulher exige ação conjunta de empresas e profissionais. Enquanto políticas de equidade avançam, entender os gastos adicionais e negociar de forma estratégica ajuda a equilibrar a balança.
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