Daniella Ribeiro violência doméstica tornou-se um assunto nacional após a senadora do PP-PB revelar, em seminário no início do mês, que enfrentou agressões físicas e psicológicas durante um relacionamento de seis anos.
A primeira mulher eleita senadora pela Paraíba contou que o ex-companheiro, juiz, a vigiava, limitava viagens e buscava afastá-la da política, chegando a oferecer sustento financeiro para que abandonasse a carreira.
Daniella Ribeiro relata violência doméstica sofrida
Daniella lembrou episódios em que foi sufocada com um travesseiro, rastreada por aplicativos e coagida a tatuar a assinatura do agressor no pescoço, símbolo de posse após ele mesmo gravar o nome dela no peito. “Eu era a presa perfeita; perdi minha identidade”, afirmou.
O controle avançava até o ambiente legislativo. Enquanto a então deputada estadual discursava na TV Assembleia, o agressor monitorava cada interação com colegas homens e a telefonava imediatamente, provocando ansiedade e isolamento.
Somente ao reler a Lei Maria da Penha, Daniella identificou o ciclo de violência que vivia. O relacionamento terminou em 2017 com apoio de amigas, família e acompanhamento psicológico.
Pouco depois, lançou-se ao Senado com apenas 2% nas pesquisas. Venceu a eleição, mas pagou o preço emocional: perdeu 12 quilos no primeiro ano de mandato, sustentada apenas por café e água, até iniciar tratamento em 2023.
Ao expor a própria história, a parlamentar alerta que nenhuma mulher — independentemente de escolaridade ou posição de poder — está imune à violência de gênero. “É fundamental reconhecer os sinais cedo e buscar ajuda”, destacou.
Imagem: Reprodução
Na vida pública, Daniella também relata machismo estrutural. Já foi questionada pela imprensa sobre aparência logo após discursos e convidada a ceder assento a um homem, mesmo sendo a autoridade de maior hierarquia na sala. Para ela, a resposta é “reafirmar diariamente o espaço conquistado”.
Entre seus projetos está o programa Antes que Aconteça, aprovado pelo Senado para atuar em todo o país com prevenção, educação em escolas e criação das Salas Lilás — centros de atendimento integrado a mulheres em municípios sem delegacias especializadas.
Daniella reforça que falar abertamente sobre violência doméstica pode salvar vidas, ao permitir que outras mulheres identifiquem padrões de abuso e procurem rede de apoio.
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Crédito da imagem: Lula Marques/Agência Brasil


