Déia Freitas adota escala 4×3 e dá casa própria a equipe, transformando a rotina de trabalho e a vida pessoal de quem faz o podcast “Não Inviabilize”.
A apresentadora, reconhecida em 2023 com o Prêmio APCA de Melhor Podcast e presente na lista dos 20 programas mais ouvidos do mundo no Spotify, decidiu repartir ganhos, reduzir a carga horária semanal e ainda construir apartamentos para os colaboradores.
Déia Freitas adota escala 4×3 e dá casa própria a equipe
Segundo a comunicadora, a primeira receita do projeto veio de um financiamento coletivo. Parte do valor cobriu despesas pessoais; o excedente passou a ser dividido igualmente entre os integrantes do time. Quando a audiência cresceu, todos foram contratados sob regime CLT, com férias pagas e plano de saúde.
O próximo passo foi encurtar a semana útil. A jornada de 32 horas, distribuída em quatro dias, não alterou a produtividade, garante Déia. “Eu trabalhei em shopping e sei o que é não ter folga. Descobrimos que entregar o mesmo resultado em menos tempo é possível”, explicou, em entrevista por telefone.
A iniciativa gerou estranhamento em parte do mercado. Mesmo assim, especialistas em gestão de pessoas veem aderência a estudos internacionais, como o divulgado pelo Spotify, que associam semanas mais curtas a maior bem-estar e engajamento.
Paralelamente, a podcaster fundou a Construpônei, microconstrutora criada para erguer edifícios residenciais destinados a familiares e funcionários. A regra interna estabelece que, após dois anos de casa, o empregado recebe um apartamento sem custo. Dos seis colaboradores atuais, três já receberam as chaves.
“Sempre sonhei em ter meu imóvel. Quando isso se tornou viável, pensei: como posso celebrar se minha equipe continua pagando aluguel?”, relatou a comunicadora, formada em Psicologia e conhecida por manter relação direta com a audiência, majoritariamente feminina.
Para manter saúde mental em dia, Déia destina as quartas-feiras à leitura de relatos enviados por ouvintes e conta com redatoras para selecionar histórias publicáveis. O distanciamento técnico, diz ela, evita sobrecarga emocional em meio a narrativas por vezes dramáticas.
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Nesses três anos de expansão, a criadora sustenta a autonomia editorial. Nas redes, assume erros, faz correções públicas e até “puxa a orelha” de seguidores quando sente pressão exagerada. A transparência, acredita, reforça a fidelidade de quem ouve o “Não Inviabilize”.
O horizonte, no entanto, vai além do próprio negócio. Depois de atender equipe e família, a meta é construir moradias populares para pessoas de baixa renda. “Ainda estou estudando como viabilizar, mas é meu próximo desejo”, afirmou.
Com ações que unem cuidado, remuneração justa e propósito social, Déia Freitas consolida a posição de maior podcaster do Brasil e sinaliza que modelos de trabalho mais flexíveis podem caminhar lado a lado com alta performance.
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