Diretriz de infertilidade da OMS expõe desigualdade

Diretriz de infertilidade da OMS passa a orientar profissionais de saúde sobre prevenção, diagnóstico e tratamento do problema que atinge uma em cada seis pessoas ao longo da vida, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde.

Divulgado nesta segunda-feira (data original), o documento estabelece que a dificuldade de engravidar é questão de saúde pública, não um dilema individual nem restrito às mulheres, ainda que elas sofram as maiores consequências sociais e emocionais.

Diretriz de infertilidade da OMS expõe desigualdade

A OMS define infertilidade quando um casal heterossexual mantém relações sexuais pelo menos três vezes por semana, sem contraceptivos, durante 12 meses, sem obter gravidez. Embora fatores femininos, masculinos ou inexplicados possam estar envolvidos, o órgão aponta que as mulheres seguem mais cobradas e culpabilizadas, enquanto causas masculinas permanecem subinvestigadas.

A nova diretriz revela que 36% das mulheres com infertilidade relatam violência doméstica em algum momento da vida. Além disso, a condição está associada a ansiedade, depressão, desgaste nos relacionamentos e estigma social, impactos que recaem de forma desproporcional sobre elas.

Para reduzir esse cenário, o texto recomenda que exames sejam solicitados apenas com indicação clínica, evitando testagens rotineiras e onerosas. Entre os exames destacados está a dosagem do hormônio antimülleriano (AMH), popularizada como “termômetro da fertilidade”. A OMS orienta uso criterioso, lembrando que a idade continua sendo o principal indicador da reserva ovariana.

Outro ponto é a confirmação de ovulação: mulheres com ciclos regulares e histórico clínico normal devem ser avaliadas primeiramente pela dosagem de progesterona na fase lútea, em vez de ultrassonografias seriadas, reduzindo riscos de diagnósticos equivocados devido a variações naturais entre ciclos.

“Muitos casais nem começam a tentar engravidar e já buscam uma bateria de testes. Exames normais não garantem gravidez, assim como alterações não significam impossibilidade de conceber”, explica Raquel Magalhães, ginecologista do Hospital Nove de Julho, da Rede Américas. Para a médica, a diretriz ajuda a retirar a infertilidade do campo do tabu e pressiona por políticas que ampliem o acesso ao cuidado.

Apesar da relevância do tema, o tratamento continua elitizado no Brasil. Segundo Magalhães, serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) especializados em reprodução assistida são escassos e contam com vagas limitadas, o que reforça disparidades socioeconômicas.

O documento completo, disponível no site da Organização Mundial da Saúde, sugere ainda o fortalecimento de políticas públicas, cobertura por planos de saúde e campanhas educativas para combater o estigma associado à infertilidade.

Em síntese, a primeira diretriz de infertilidade da OMS consolida evidências científicas, propõe avaliação custo-efetiva e expõe a desigualdade que afeta sobretudo as mulheres, ao mesmo tempo que convida governos e sistemas de saúde a ampliarem o acesso a diagnóstico e tratamento.

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Crédito da imagem: OMS

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