Diretriz da OMS sobre Ozempic e Mounjaro: uso e restrições

Diretriz da OMS sobre Ozempic e Mounjaro abre um novo capítulo no tratamento da obesidade, ao estabelecer recomendações de uso para os agonistas do receptor GLP-1, classe que inclui as canetas emagrecedoras mais populares do mercado.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou nesta segunda-feira (data conforme original) sua primeira orientação oficial para esses fármacos, citando Ozempic, Wegovy e Mounjaro. O documento sustenta que a terapia farmacológica deve ser parte de um plano amplo, aliado a alimentação equilibrada, atividade física regular e acompanhamento profissional.

Diretriz da OMS sobre Ozempic e Mounjaro: uso e restrições

Segundo o texto, as drogas à base de semaglutida e tirzepatida são indicadas apenas para pessoas com índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m². A recomendação exclui indivíduos com IMC entre 27 kg/m² e 30 kg/m², ainda que apresentem comorbidades, diferindo de algumas bulas que contemplam esse grupo.

O endocrinologista Paulo Miranda, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, considera a diretriz um marco. Para ele, o documento “reforça que combater a obesidade exige mudanças de estilo de vida e, quando necessário, suporte farmacológico”.

A OMS classifica o parecer como “recomendação condicional”. Entre os motivos estão dados ainda limitados sobre segurança e eficácia em longo prazo, custos elevados e a necessidade de preparo dos sistemas de saúde. Em nota, o diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus afirmou que, embora os medicamentos não resolvam sozinhos a crise global, “podem ajudar milhões a superar a obesidade e reduzir danos associados”.

Uma das advertências centrais é a contraindicação para gestantes. Faltam evidências de segurança durante a gravidez, e não há estudos conclusivos sobre possíveis impactos no desenvolvimento fetal. O documento também solicita pesquisa adicional sobre fertilidade em mulheres que vivem com obesidade.

O custo elevado é outro obstáculo. A OMS alerta que, sem políticas específicas, menos de 10% das pessoas que poderiam se beneficiar receberão as terapias até 2030. No Brasil, tratamentos com Ozempic, Wegovy ou Mounjaro partem de cerca de R$ 1 mil mensais, valor considerado inviável para a maioria da população. A entidade defende ação coordenada entre governos, fabricantes e serviços de saúde para reduzir desigualdades de acesso.

Para mais detalhes técnicos, a diretriz completa pode ser consultada no site da Organização Mundial da Saúde, que destaca a urgência de estratégias amplas contra a obesidade.

Em síntese, a nova diretriz delimita público-alvo, alerta para lacunas científicas e pressiona por políticas que tornem o tratamento acessível. Como lembra Paulo Miranda, “é preciso um plano estrutural que considere a complexidade da obesidade e garanta equidade no cuidado”.

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Crédito da imagem: OMS/Divulgação

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