Doenças de pele entram oficialmente na lista de prioridades de saúde pública da Organização Mundial da Saúde (OMS), mexendo com políticas, investimentos e responsabilidades dos países-membros, inclusive o Brasil.
O novo status, anunciado neste mês, amplia a discussão sobre desigualdades raciais, climáticas e socioeconômicas que limitam o acesso de milhões de brasileiros à prevenção e ao tratamento dermatológico.
Doenças de pele: OMS coloca condição como prioridade global
Dados do dossiê “Brasil à Flor da Pele”, conduzido pela L’Oréal Beleza Dermatológica em parceria com o Instituto Datafolha e a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), mostram que problemas dermatológicos afetam autoestima, saúde mental e produtividade, atingindo com maior gravidade grupos vulneráveis. “A maioria da população nunca consultou um dermatologista”, alerta o médico Drauzio Varella, apontando que 70% dos jovens jamais tiveram atendimento especializado.
A OMS reconhece que o cuidado cutâneo é direito básico de saúde. Para Hanane Saidi, diretora da L’Oréal Beleza Dermatológica no Brasil, a decisão respalda o programa Act for Dermatology, que destinará 20 milhões de euros em cinco anos para ampliar o acesso global. Segundo ela, o reconhecimento “reforça a construção de uma dermatologia mais preventiva, diversa e acessível”.
No contexto brasileiro, clima tropical e alta radiação UV exigem políticas integradas de fotoproteção. O dermatologista Sérgio Schalka, coordenador do Consenso Brasileiro de Fotoproteção, lembra que o câncer de pele avança no país “muito por conta do uso incorreto do protetor solar”. Ele defende programas governamentais que garantam distribuição e educação sobre o produto, citando a Austrália como referência em redução de casos.
Schalka ressalta o impacto sobre trabalhadores expostos ao sol — carteiros, entregadores, policiais e rurais — e critica o movimento “non-sunscreen”, contrário ao consenso científico. Estudos desde a década de 1990 comprovam que o uso regular de filtro diminui a incidência de melanoma e não-melanoma.
Além da fotoproteção, especialistas apontam a desinformação online como barreira crítica. “Existe uma máquina de golpes que explora a vulnerabilidade da população”, afirma Varella. Falsas promessas de dietas ou suplementos para evitar danos solares podem agravar o problema de saúde pública.
Imagem: Pexels
Ao reconhecer a relevância global das enfermidades cutâneas, a OMS cria espaço para que o Brasil fortaleça programas de educação, amplie consultas dermatológicas no SUS e garanta produtos adequados a diferentes tons de pele. Relatórios da entidade, disponíveis nos informes da Organização Mundial da Saúde, indicam que a prevenção de doenças de pele reduz custos a longo prazo e melhora indicadores de qualidade de vida.
Especialistas defendem campanhas nacionais de esclarecimento, parcerias público-privadas e incentivo financeiro para filtros solares acessíveis. A palavra-chave é equidade: combater lacunas históricas e aproximar o país de um modelo onde saúde da pele não seja privilégio.
Em síntese, a priorização da OMS pressiona governos, empresas e profissionais a agir contra desigualdades, ampliar a informação baseada em evidências e frear o avanço de patologias que vão muito além da estética.
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Foto: Editora Globo


