Dona Onete, ícone paraense de 85 anos, transforma as margens do rio Arari em palco outra vez ao protagonizar “Dona Onete – Meu Coração Neste Pedacinho Aqui”, documentário que narra sua redescoberta artística e pessoal.
Dirigido por Mini Kerti e produzido pela Conspiração Filmes, o longa acompanha a cantora desde a infância em Igarapé-Miri até a consagração como criadora do carimbó chamegado, gênero que mistura o batuque ancestral do carimbó a letras sobre amor, desejo e natureza.
Dona Onete celebra liberdade em novo documentário
O filme registra o momento em que Ionete da Silveira Gama, ex-professora e pesquisadora de folclore, assume a própria história após décadas sob um casamento controlador. “Agora me sinto dona da minha história”, afirma, lembrando que só lançou o primeiro disco aos 73 anos.
Da sala de aula aos palcos internacionais
Antes de subir aos palcos, Dona Onete lecionou história e folclore em Belém, catalogando tradições amazônicas. Mesmo compondo desde jovem, enfrentou censura doméstica: “Se alguém quisesse gravar uma música minha, precisava pedir licença ao meu marido”, conta. A separação, aos 60 anos, abriu caminho para festivais de bairro e, depois, turnês pelo Brasil e exterior.
Carimbó chamegado: erotismo e afeto sem estereótipos
Suas canções, muitas vezes descritas como sensuais e bem-humoradas, desafiam preconceitos sobre velhice e corpo feminino. “Falo do amor da pele, do cheiro, do toque”, diz. No palco, interpreta a plateia pelo olhar: “Canto conforme vejo o rosto das pessoas; a força vem das águas onde nasci”.
O olhar de Mini Kerti sobre uma lenda viva
A diretora, conhecida por projetos como “Refavela 40”, acompanhou a artista por um ano e meio no Pará, registrando idas ao mercado de Belém, banhos de rio e sessões improvisadas no quintal. Em declaração ao G1, Kerti afirmou que o encontro entre gerações tornou o documentário “um espelho” de vidas femininas que se escutam.
Legado em construção aos 85 anos
Entre shows lotados e homenagens — como o enredo da Grande Rio no Carnaval —, Dona Onete brinca com a ideia de aposentadoria: “Tô querendo me aposentar, mas não é agora”, ri. Para ela, a alegria segue sendo combustível: “A voz ainda tá aqui, e a vontade também”.
Imagem: Divulgação
Com humor e franqueza, a obra revela a metamorfose de uma mulher que enfrentou 25 anos de silenciamento doméstico e hoje canta, literalmente, sua liberdade. O documentário integra o circuito de festivais nacionais e internacionais, levando a identidade amazônica a novos públicos.
No desfecho, Dona Onete confirma sua filosofia de reinvenção constante: “Aprendi a me reinventar sem perder o riso, e o Brasil inteiro canta comigo”.
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Foto: Divulgação/Conspiração Filmes


