Economia preta é a bandeira que Adriana Barbosa, diretora executiva do Preta Hub, sustenta há 23 anos ao promover a Feira Preta, hoje considerado o maior evento de empreendedorismo negro da América Latina.
O projeto, que começou em 2002 quando Barbosa vendia roupas em feiras de São Paulo, transformou-se em um ecossistema que já injetou quase R$ 8 milhões em negócios liderados majoritariamente por mulheres negras, alcançando Brasil, Bolívia, Colômbia e África do Sul.
Economia preta: Adriana Barbosa expande o Preta Hub
A executiva relembra que, no primeiro ano da Feira Preta, mais de 5 mil pessoas visitaram o evento mesmo sem patrocínio. Desde então, a iniciativa passou a articular discussões sobre mercado, consumo e identidade, integrando também empreendedores indígenas e LGBTQIAPN+ a programas de educação e acesso a mercado.
Entre os desafios enfrentados, Barbosa cita o racismo institucional que dificulta captação de recursos e parcerias. “Precisamos disputar o setor econômico, não apenas o campo social”, afirma. Para sustentar essa estratégia, o Preta Hub criou uma área de Policy que trabalha por um Marco Regulatório do Empreendedorismo Negro. A proposta, prevista para chegar ao Congresso até o início de 2025, pretende incluir a autodeclaração racial nos registros de abertura de empresas para gerar dados qualificados sobre empresários negros.
Segundo levantamento feito pela organização, a maioria das políticas existentes é assistencialista, o que, embora necessário, não resolve a ausência de negros nas cadeias de valor. Barbosa defende que a “economia preta” seja reconhecida como segmento estratégico, à semelhança das economias verde ou criativa. Estudos semelhantes já foram discutidos por órgãos como o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), reforçando a importância de dados raciais para formulação de políticas públicas.
No âmbito internacional, o objetivo é consolidar parcerias em países africanos de língua portuguesa e ampliar a presença na América Latina. “Queremos fortalecer a narrativa da economia preta e mostrar que empreendimentos negros também são lucrativos”, resume a empreendedora, que cita a própria trajetória de autoconhecimento racial e terapia como fundamentais para manter a resiliência diante de microagressões diárias.
Imagem: Anne Karr
Para além da Feira, o Preta Hub aposta em educação empreendedora baseada em saberes ancestrais, comunicação estratégica e produção de dados. “Construímos uma solução sistêmica porque o racismo é sistêmico”, explica Barbosa. A meta agora é atrair investimentos privados, ampliar o fundo de apoio e tornar a Feira Preta uma plataforma global de negócios.
Resumo: em mais de duas décadas, Adriana Barbosa transformou uma banca de brechó em um ecossistema que impulsiona a economia preta, projeta lei para formalizar o setor e planeja expansão internacional. A história reforça que reconhecer e fomentar o empreendedorismo negro é crucial para o desenvolvimento econômico sustentável.
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Foto: Anne Karr


