Emilie Lesclaux, produtora francesa radicada em Recife, descreveu a intensa campanha de “O Agente Secreto” rumo ao Oscar e exaltou a parceria artística e pessoal com o diretor Kleber Mendonça Filho.
Em entrevista concedida no fim de janeiro, Lesclaux contou que a rotina de viagens, sessões para votantes e compromissos de imprensa tem exigido equilíbrio entre trabalho e maternidade, já que os gêmeos Tomás e Martín, de 11 anos, seguem na escola no Brasil.
Emilie Lesclaux celebra parceria e indicações ao Oscar
O longa, aclamado com 13 minutos de aplausos no Festival de Cannes de 2023, disputa quatro categorias da premiação, incluindo Melhor Filme. Caso a produção saia vencedora, será Lesclaux quem subirá ao palco para receber a estatueta, tradição reservada ao produtor principal. “Estamos vivendo dia a dia para conter a expectativa”, afirmou.
A francesa relembra que o reconhecimento começou muito antes da temporada de premiações. “Desde Cannes, comemoramos cada conquista. Sabíamos que o Oscar é norte-americano, mas o impacto global é inegável”, destacou. O momento do anúncio, assistido em casa com amigos e colegas de equipe, foi descrito como “incrível” e “fora do real”.
Mesmo sem discurso pronto, a produtora garante estar focada na divulgação. “Há pouco tempo para planejar palavras; precisamos mostrar o filme aos votantes”, explicou. A maratona inclui compromissos em diversas cidades, com estadas rápidas em hotéis e longos voos — realidade que exigiu apoio de familiares para cuidar dos filhos. A mãe de Lesclaux permaneceu dois meses no Recife para ajudar.
Questionada sobre a separação entre vida pessoal e profissional, Lesclaux admite a fusão natural das esferas. O encontro com Mendonça Filho ocorreu quando ela atuava no Consulado-Geral da França para o Nordeste e ele era crítico de cinema. “Nossa parceria nasceu de forma orgânica. Nos curtas, todo mundo fazia de tudo; já fiz som, assistência de direção e montagem”, relembrou. O crescimento dos projetos levou à criação da produtora e à especialização da francesa em captação de recursos e gestão de produção.
Lesclaux afirma que sempre se interessou pela parte criativa do ofício. Participa na leitura de roteiro, na escolha de locações e elencos. Sobre o retrato de personagens femininas, ela observa que o diretor “sempre valorizou figuras fortes”, citando exemplos desde Vinil Verde (2004) até Aquarius (2016). Embora “O Agente Secreto” apresente protagonismo masculino, personagens femininas seguem relevantes.
O orçamento robusto e a recriação de cenários foram os grandes desafios da produção. Entre eles, a reconstrução detalhada de um antigo aeroporto e as gravações no histórico cinema São Luiz, que exigiram o fechamento do centro do Recife. “Foi mágico reviver aquela época; emocionou muita gente”, disse.
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A família acompanha de perto o processo criativo. Os gêmeos visitaram diversos sets e viajaram para festivais. Durante a pandemia, o trio cultivou sessões de filmes em casa, hábito que desenvolveu o gosto dos meninos por cinema de diferentes gêneros e países. “Eles até experimentam stop motion, mas não pressionamos; se quiserem outra carreira, tudo bem”, garantiu.
Quanto ao futuro, Lesclaux revela que o casal cogita um novo projeto ambientado na Recife dos anos 1930, potencialmente ainda mais complexo de reconstituir. “Ideias não faltam, mas primeiro precisamos fechar este ciclo”, afirmou.
Para compreender a importância de campanhas de premiação em Hollywood, o site da Variety destaca como estratégias de marketing influenciam votos da Academia, contexto que ajuda a explicar a agenda apertada de Lesclaux.
O resultado das indicações será conhecido em 10 de março, data da cerimônia. Até lá, Lesclaux segue entre aeroportos, sessões privadas e encontros com a imprensa, mantendo a ambição que a trouxe da França para o cinema pernambucano.
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