Ex-marido gringo faz brasileira de segunda esposa para visto

Ex-marido gringo é a expressão que resume o drama vivido pela professora brasileira Daniella De Divitiis, de 30 anos, que descobriu ter sido usada como “segunda esposa” por um ativista gambiano interessado em obter livre circulação pela Europa.

A história, relatada em série de vídeos no Instagram e detalhada à revista Marie Claire, revela que o homem ocultou um casamento anterior na Alemanha, quatro filhos e empregou manipulação emocional para conseguir documentos italianos.

Ex-marido gringo faz brasileira de segunda esposa para visto

Segundo De Divitiis, o relacionamento começou quando ela pesquisava sobre a crise migratória e entrou em contato com o ativista via Facebook. Diferenças culturais — ela cristã; ele muçulmano, falante de mandinga — pareciam superáveis. No entanto, conforme a professora aprendeu o idioma dele, passou a notar conversas suspeitas e mudanças de assunto quando demonstrava compreender o conteúdo.

Em 2021, o casal iniciou o processo de casamento civil na Itália. O trâmite, que demorou cinco meses por inconsistências nos documentos dele, coincidiu com a renovação de seu visto alemão. O objetivo, segundo a brasileira, era obter o visto italiano, que lhe garantiria entrada e saída no Espaço Schengen por um ano.

No mesmo período, o avô de Daniella adoeceu no Brasil. Ela afirma que o marido dificultou sua viagem de despedida e reagiu com frieza à morte do familiar. A sensação de isolamento se agravou quando os dois se mudaram para uma pequena cidade próxima a Bolonha, cercada por plantações e sem rede de apoio.

Em meio à pandemia, a professora desenvolveu ansiedade, pânico e depressão. Chegou a considerar dormir com uma faca por medo de violência, embora o companheiro jamais tenha agredido fisicamente. “Ele me isolou de tudo”, relatou.

A reviravolta veio com um e-mail anônimo enviado por três mulheres — duas alemãs e uma italiana — igualmente envolvidas com o ativista. Na mensagem, elas o descreviam como “falso” e “manipulador” e alertavam para a existência da primeira esposa e dos filhos. O grupo relatou ainda prejuízos financeiros, inclusive empréstimos não pagos.

A brasileira conta que cedeu ao pedido de 8 mil euros para supostos salários de funcionários de uma rádio na Gâmbia. O valor só foi devolvido após intervenção da Defensoria Pública italiana.

Após oficializar o casamento, Daniella voltou ao Brasil enquanto o marido seguiu para a Gâmbia acompanhar as eleições. A partir daí, ele interrompeu contatos e bloqueou a ex-esposa nas redes sociais. A saúde dela piorou com perda de peso, anemia e crises emocionais.

Em 2023, a professora tentou o divórcio consensual. Sem residência fixa na Itália e sem recursos para os 6 mil euros exigidos, solicitou que o ex-companheiro custeasse passagens e aluguel temporário, cerca de 1 800 euros. O valor não foi pago. Atualmente, ela cogita buscar indenização por danos morais e ressarcimento de despesas médicas e financeiras.

Especialistas em direito internacional lembram que golpes matrimoniais envolvendo vistos são comuns. De acordo com nota da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), a vulnerabilidade de migrantes pode ser explorada em relacionamentos interculturais, exigindo atenção a sinais de manipulação e controle.

Daniella reforça que não busca vingança, mas justiça: “Não fui a primeira enganada e talvez não seja a última. Quero que outras mulheres se sintam seguras para denunciar”.

Para quem enfrenta situação semelhante, órgãos de defesa da mulher e consulados oferecem orientação jurídica e psicológica gratuita.

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Crédito da imagem: Reprodução/Instagram

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