Fístula liquórica: mulher enfrenta sete cirurgias sem cura — O vazamento contínuo de líquido cerebrospinal pelo nariz transformou a rotina da servidora pública Jaqueline Aparecida Mendonça, 40 anos, moradora de Jacutinga (MG). Desde 2019, ela realizou oito procedimentos, sendo sete craniotomias e uma intervenção endonasal, mas a abertura que permite a passagem do líquor permanece ativa.
O caso teve início em um sábado de janeiro de 2019, quando Jaqueline acordou com a fronha encharcada por uma secreção transparente. Ao buscar atendimento no pronto-socorro municipal, a suspeita passou rapidamente de sinusite para fístula liquórica, condição que exige tratamento cirúrgico para evitar infecções graves, como meningite.
Fístula liquórica: mulher enfrenta sete cirurgias sem cura
A neurologista Bruna Proença, do Hospital Nove de Julho, explica que a fístula ocorre quando há ruptura das meninges, membranas que protegem cérebro e medula. “O líquor normalmente circula em ambiente fechado e estéril. Quando vaza pela cavidade nasal, processo chamado de rinorreia liquórica, expõe o sistema nervoso a bactérias presentes no nariz”, detalha a especialista.
Depois da confirmação por tomografia em Mogi Mirim (SP), Jaqueline recebeu prescrição de acetazolamida, mas a dor de cabeça intensa a levou a procurar um neurologista, que indicou internação imediata. Em fevereiro daquele ano, ela passou pela primeira cirurgia endonasal, seguida de internação em UTI e uso de dreno lombar externo. O pós-operatório foi complicado: um coma de 13 dias retardou a recuperação.
Dois meses depois, o vazamento de líquor reapareceu. Em junho de 2019, Jaqueline foi submetida à primeira craniotomia. Três meses mais tarde, outra abertura no crânio retirou um músculo da coxa para tentar selar a fístula, sem sucesso. No final desse mesmo ano, surgiu uma infecção que consumiu o osso frontal; a equipe médica removeu toda a estrutura comprometida.
Em 2020, a paciente recebeu uma prótese frontal, mas novas cirurgias foram necessárias: em março, outro enxerto de músculo da coxa; em maio, tentativa de derivação do líquor para o estômago, interrompida por perfuração intestinal. Até hoje, nenhuma técnica conseguiu fechar definitivamente a fístula.
Segundo a Mayo Clinic, fístulas liquóricas não tratadas adequadamente aumentam o risco de meningite em até 10% ao ano. Jaqueline vivencia essa ameaça diariamente: “Há mais de um ano e meio trato uma infecção persistente na testa, onde o osso frontal foi removido. Além disso, o líquor ainda escorre pela narina”, relata.
Imagem: pessoal
Em 2023, um acidente de carro agravou o quadro ao deslocar a prótese craniana, que precisou ser retirada. Desde então, abscessos com pus e líquor se formam na testa, obrigando uso contínuo de antibióticos e acompanhamento de infectologista. A servidora também desenvolveu convulsões noturnas e crises de ausência, controladas com medicamentos anticonvulsivantes e antidepressivos.
Mesmo diante das complicações, Jaqueline mantém a esperança de uma nova cirurgia que elimine a infecção e feche a fístula. “Aprendi a valorizar a saúde e a ter fé. É o bem mais precioso”, afirma.
No Brasil, casos como o de Jaqueline são raros, mas reforçam a importância de diagnóstico precoce e acompanhamento neurológico especializado. Sintomas como gotejamento nasal contínuo de fluido claro, dor de cabeça intensa e histórico de trauma craniano exigem avaliação imediata.
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Foto: Arquivo pessoal


