Flibanserina recebeu, em dezembro, aval ampliado do Food and Drug Administration (FDA) para tratar a baixa libido em mulheres que já passaram pela menopausa e têm menos de 65 anos. A decisão expande o público que, desde 2015, era limitado a pacientes em idade reprodutiva que relatavam sofrimento emocional decorrente da queda do desejo sexual.
Comercializado nos Estados Unidos sob o nome Addyi e ainda indisponível no Brasil, o medicamento representa uma das poucas opções farmacológicas específicas para distúrbios de desejo sexual feminino.
Flibanserina: FDA libera uso para mulheres pós-menopausa
A flibanserina não funciona como estimulante genital nem afrodisíaco. Diferentemente da sildenafila (Viagra), que atua no fluxo sanguíneo peniano, o fármaco age no cérebro ao reduzir serotonina e elevar dopamina e noradrenalina, neurotransmissores ligados à motivação e ao interesse sexual. Segundo a ginecologista e sexóloga Jussimara Steglich, da Febrasgo, o objetivo é equilibrar sistemas inibitórios e excitatórios do desejo, efeito observado após uso contínuo de quatro a oito semanas.
Especialistas ressaltam que comparar a substância ao “Viagra feminino” é incorreto e pode atrapalhar a compreensão da sexualidade feminina, já que o desejo feminino envolve motivação, contexto emocional e relação de casal.
Principais benefícios e limitações
Ensaios clínicos apresentados ao FDA indicam melhorias modestas, porém estatisticamente significativas, no desejo sexual e na redução do sofrimento associado ao transtorno do desejo hipoativo. A agência norte-americana destacou que a ampliação reconhece a continuidade da vida sexual após a menopausa, afastando o mito de que a libido feminina tem “prazo de validade”.
Mesmo com a nova indicação, os efeitos adversos exigem cautela: sonolência, náusea, tontura e hipotensão são relatados, especialmente quando a droga é combinada com álcool ou outros fármacos. Por isso, o uso deve ser orientado por profissional de saúde, sem automedicação.
Contexto multifatorial do desejo
O benefício da flibanserina é limitado porque o desejo feminino depende de múltiplos fatores, como sono, estresse, saúde mental e qualidade do relacionamento. Durante o climatério, alterações hormonais e cansaço podem reduzir a espontaneidade sexual, mas somente se essa mudança provocar sofrimento persistente é que se caracteriza um transtorno.
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Para Steglich, intervenções não farmacológicas — terapia sexual, educação e melhora da comunicação do casal — continuam fundamentais. “O melhor tratamento é o que atende às necessidades individuais da mulher”, pontua.
Disponibilidade e perspectivas
Embora o medicamento não esteja disponível no mercado brasileiro, a decisão do FDA pode incentivar estudos locais e submissões regulatórias futuras. Até lá, mulheres interessadas devem buscar avaliação médica para entender riscos e benefícios, sobretudo aquelas em terapia de reposição hormonal ou com histórico de hipotensão.
Informações adicionais sobre a nova autorização podem ser encontradas no site oficial do FDA (fda.gov), que detalha critérios de elegibilidade e orientações de segurança.
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