Gabz fala sobre autoestima e independência emocional ao explicar como superou violências raciais, consolidou sua carreira e entrou em um novo relacionamento apenas depois de se sentir completa sozinha.
A atriz e cantora lembra que, no início da trajetória, chegou a ouvir que precisava de “um sobrenome de peso” para atuar. Batizada no hip-hop, ela manteve o nome artístico que herdou das ruas e fez dele símbolo de identidade.
Gabz fala sobre autoestima e independência emocional
Na nova novela das 19h da TV Globo, “Coração Acelerado”, Gabz interpreta Eduarda, jovem sertaneja que luta ao lado da parceira de palco, Agrado (Isadora Cruz), por espaço na música. A escolha do cabelo curto para a personagem foi encarada como oportunidade de criar referências positivas para meninas negras.
Ancestralidade reforça autoestima
Gabz credita ao candomblé parte fundamental da construção de sua autoestima. Conhecer a própria história e a força dos antepassados, afirma, “coloca no eixo e torna mais forte”. A artista destaca que os terreiros são “o maior compilado de história afro-brasileira” e funcionam como bússola para seu trabalho.
Independência financeira e emocional
Depois de viver um relacionamento abusivo, Gabz decidiu que só se envolveria afetivamente quando estivesse inteira. “Aprendi a estar só, construí minha autoestima com as minhas mãos, pedacinho por pedacinho”, afirma. Hoje, namora o ator Jaffar Bambirra, relação que descreve como parceria artística e pessoal, possível graças à autonomia conquistada.
Racismo e judicialização
Alvo de ataques nas redes, a atriz prefere encaminhar ofensas ao Judiciário. Para ela, a vítima não deve carregar o peso de lidar com o racismo diariamente. Gabz lembra que o sistema judicial ainda reproduz preconceitos, mas considera essencial denunciar para desestimular novos agressores. Segundo levantamento da BBC Brasil, casos de injúria racial nas redes têm crescido e a judicialização é uma das principais estratégias de combate.
Nova representação no sertanejo
O gênero sertanejo conta com poucas artistas negras em destaque. Com Eduarda, Gabz espera abrir portas: “É estranho que, num país de maioria preta e parda, quase não haja mulheres negras nesse espaço”. A própria repercussão nos bastidores confirma a necessidade de visibilidade, já que cantoras negras em ascensão a procuraram para agradecer a representação.
Imagem: Lucas Mavinga
Aprendizado após “Mania de Você”
Protagonizar uma novela das 21h expôs a artista a críticas que, muitas vezes, iam além do mérito profissional. “Sei separar o que são críticas do que é racismo, porque tenho consciência de mim e da minha trajetória”, resume. A experiência serviu de “intensivão” para lidar com a exposição e fortalecer a autocrítica.
Fé e futuro artístico
Gabz revela que já realizou sonhos impensáveis, como representar o Brasil no Emmy Internacional. Seus objetivos agora incluem se profissionalizar ainda mais na atuação e lançar projetos musicais autorais, sempre pautados na missão de “mostrar novas possibilidades de existir” para meninas negras.
Ao olhar para o passado e projetar o futuro, a cantora volta ao ponto central: “Meu valor não está nos olhos do outro”. A frase resume o caminho de quem fez da autoestima um escudo contra o racismo e uma ponte para novas conquistas.
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Foto: Lucas Mavinga


