Geração sanduíche: desafio duplo de cuidado familiar

Geração sanduíche é o termo que define mulheres que, simultaneamente, cuidam dos filhos e dos pais idosos, enfrentando pressão física e emocional.

O assunto ganhou destaque após Eliana e Sabrina Sato abordarem o tema no programa Saia Justa, do GNT, emocionando o público ao relatarem a própria rotina de cuidados em família.

Geração sanduíche: desafio duplo de cuidado familiar

Especialistas ouvidas reforçam que a situação revela um problema social mais amplo: a distribuição desigual do cuidado. Para a psicanalista Belinda Mandelbaum, da USP, o fenômeno “escancara como a sociedade organiza responsabilidades”, exigindo debate coletivo.

Por que a sobrecarga recai sobre as mulheres?

Dados da PNAD Contínua 2022 indicam que as brasileiras dedicam 9,6 horas a mais por semana do que os homens a afazeres domésticos e cuidados de pessoas. Nas classes média e alta, parte das tarefas é terceirizada; já nas camadas populares, o suporte vem de redes femininas — mães, avós e vizinhas. “A rigidez de papéis ainda associa o cuidado à identidade feminina”, afirma a psicóloga Eliane Pereira Mello.

Sinais de alerta para quem cuida sem ser cuidado

Autocobrança, irritabilidade constante, cansaço que não passa e perda de prazer em atividades rotineiras são sintomas comuns, segundo Eliane. O ortopedista Ricardo Kobayashi acrescenta que dores físicas recorrentes podem ser o primeiro sinal de um quadro de esgotamento.

Definir limites não é egoísmo

As especialistas apontam que o autoconhecimento ajuda a estabelecer fronteiras saudáveis. “Não estamos disponíveis o tempo inteiro. Reconhecer isso evita colapsos”, diz Eliane. Técnicas de mentalização podem facilitar o diálogo familiar: pedir que outro parente imagine como é viver aquela rotina diária abre espaço para repartir tarefas.

Compartilhar responsabilidades alivia a pressão

No Saia Justa, Sabrina Sato relatou o “revezamento de amor” organizado entre irmãos para cuidar do pai com câncer. A prática reflete a defesa de Belinda: dividir quem faz compras, quem acompanha consultas e quem lava a louça impede que o peso recaia sobre uma só pessoa.

Autocuidado como compromisso

Planejar momentos de lazer — seja exercício físico, cinema ou um café com amigas — é fundamental para manter a saúde mental. “Programe esse tempo na agenda e questione crenças como ‘ninguém faz melhor que eu’”, orienta Eliane.

Em suma, assumir a condição de cuidadora não deve significar negligenciar a própria saúde. Dividir tarefas, reconhecer limites e reservar tempo para si são estratégias essenciais para que a geração sanduíche siga cuidando sem adoecer.

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Crédito da imagem: GNT/Divulgação

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