Geyze Diniz detalha estratégia do Pacto Contra a Fome em entrevista que ressalta sua convicção de que o Brasil pode eliminar a fome ao conectar excedentes de alimentos a quem mais precisa.
Economista e empresária, Geyze Diniz deixou de lado o caminho tradicional do alto varejo para usar sua rede de contatos na criação do Pacto Contra a Fome, coalizão que reúne governo, empresas, terceiro setor, academia e imprensa. A presidente do conselho afirma que “não falta alimento, falta acesso” e aposta em soluções de escala nacional com base em dados e articulação multissetorial.
Geyze Diniz detalha estratégia do Pacto Contra a Fome
Com origem profissional no Grupo Pão de Açúcar, onde ingressou como trainee, Geyze Diniz acumulou experiência em gestão e liderança. Ao lado de Abilio Diniz, com quem fundou a plataforma de longevidade Plenae, desenvolveu habilidade para conectar pessoas e causas, competência hoje central no Pacto Contra a Fome.
A pandemia foi o ponto de virada. Preocupada com crianças sem merenda, ela liderou a União São Paulo, responsável pela distribuição de 900 mil cestas básicas, e a campanha Panela Cheia Salva. A partir daí, encomendou um estudo sobre desperdício de alimentos e descobriu que a quantidade descartada superava o necessário para alimentar milhões em insegurança alimentar. “Está tudo errado. Não falta alimento, sobra e vai para o lixo”, pontua.
Convencida de que o problema exigia escala, Geyze estruturou o Pacto como movimento suprapartidário. A coalizão utiliza inteligência de dados para influenciar políticas públicas – como a discussão sobre a cesta básica nacional e a reforma tributária – e para otimizar a logística de distribuição. “Para problemas muito complexos, as soluções são sistêmicas”, resume.
Além de mobilizar empresas para reduzir desperdício, o Pacto incentiva governos locais a criar incentivos fiscais que facilitem doações. Geyze também defende campanhas de educação alimentar, argumentando que combater a fome passa por mudar hábitos de consumo e aproveitar melhor os alimentos.
O trabalho da economista tem repercussão em Brasília e conta com apoio de instituições internacionais. Relatórios da FAO embasam a tese de que o Brasil pode zerar a fome ao alinhar produção agrícola, logística e políticas sociais. Segundo Geyze, “é possível acabar com a fome se cada setor assumir a própria responsabilidade”.
Imagem: Carine Wallauer
Desde a adolescência, quando organizou uma festa junina beneficente para crianças com síndrome de Down, a atual presidente do Pacto demonstra vocação para liderança social. Mãe de Rafa e Miguel, define-se hoje como cidadã que doa tempo e expertise para causas coletivas.
Geyze Diniz reforça que o Pacto Contra a Fome quer ir além da entrega de cestas: “Não viemos para enxugar gelo; buscamos soluções estruturantes que integrem toda a cadeia alimentar”. Ela convida outras organizações a aderirem à coalizão, ressaltando que a participação conjunta é a chave para transformar abundância em acesso.
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Crédito da imagem: Divulgação


