Gravidez após quimioterapia virou realidade para a empresária e decoradora Ana Paula Ferreira Mota, 43 anos, que concebeu naturalmente apenas dez meses depois de concluir o tratamento contra um linfoma Não Hodgkin.
Moradora de Fortaleza (CE), Ana Paula havia interrompido o plano de ampliar a família ao iniciar oito sessões de quimioterapia, recomendação que a levou à menopausa precoce induzida pelos medicamentos.
Gravidez após quimioterapia surpreende empresária de 43 anos
A primeira tentativa de uma nova gestação começou quando a primogênita, Maria Fernanda, tinha cinco anos, mas exames não apontaram qualquer disfunção hormonal que justificasse a dificuldade para engravidar. Em dezembro de 2020, quedas acentuadas de cabelo, perda de peso e ínguas intermitentes acenderam o alerta para algo mais sério.
Após três meses de exames sem respostas, uma segunda biópsia confirmou o linfoma Não Hodgkin, doença que afeta os linfócitos do sistema linfático. O ciclo de quimioterapia eliminou o tumor já na sexta sessão, segundo PET-Scan realizado na época.
De acordo com a ginecologista Fernanda Schier de Fraga, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), alguns quimioterápicos destroem óvulos devido à alta atividade metabólica, levando a uma menopausa que pode ser temporária ou permanente.
Por precaução, o oncologista orientou o casal a adiar a gravidez por dois anos. Contudo, confiantes de que a menopausa precoce impediria uma concepção, eles mantiveram relações sem método contraceptivo. A surpresa veio menos de um ano depois do fim do tratamento: o teste positivo para o segundo filho.
“Durante a menopausa precoce, engravidei do meu milagre, Rafael Victor, hoje com três anos. Foi um presente para nossa família”, relatou Ana Paula, emocionada.
Casos como o dela são raros, mas possíveis. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a restauração da função ovariana pode ocorrer quando o dano aos folículos não é permanente, permitindo ovulações espontâneas mesmo após meses sem menstruação.
Imagem: pessoal
Especialistas recomendam acompanhamento médico constante a pacientes oncológicas que desejam engravidar, avaliando fertilidade, riscos de recidiva e condições gerais de saúde antes de qualquer tentativa.
No caso de Ana Paula, a gravidez transcorreu sem intercorrências graves, reforçando a importância do suporte multidisciplinar — de oncologistas a obstetras — para garantir bem-estar materno e fetal.
Histórias de superação como a da empresária cearense mostram que, apesar dos desafios impostos pelo câncer e pelos tratamentos agressivos, a vida pode florescer de forma inesperada e renovar a esperança de muitas famílias.
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Crédito da imagem: Arquivo pessoal


