Holocausto: neta descobre destino trágico de tia-avó

Holocausto: neta descobre destino trágico de tia-avó marca a luta da publicitária paulista Cristina Herschander para preservar a história de Fanny Herschander, irmã de seu avô Alfred, assassinada em Auschwitz-Birkenau.

Neta de um judeu alemão, Cristina cresceu ouvindo relatos do terror nazista. Alfred Herschander escapou da Alemanha comprando um passaporte polonês e chegou ao Brasil antes da Segunda Guerra. A única irmã, Fanny, optou por ficar em Berlim e nunca mais foi vista pela família.

Holocausto: neta descobre destino trágico de tia-avó

Em 2005, já adulta, Cristina soube que o museu israelense Yad Vashem havia digitalizado arquivos das vítimas do regime nazista. Entre milhares de documentos, ela encontrou a confirmação: Fanny fora deportada no Transporte 30 que partiu de Berlim rumo a Auschwitz-Birkenau em 26 de fevereiro de 1943 e ali morreu.

A descoberta encerrou décadas de incerteza. Quando Alfred ainda era vivo, o pai de Cristina enviara cartas a cartórios de Berlim buscando pistas sobre a irmã – sem sucesso. O sonho era saber se Fanny se casara e tivera filhos. O silêncio alimentava a esperança; o documento selou o luto.

Cristina lembra que o avô dizia que sua trajetória “daria um livro”. Morto em 1994, aos 85 anos, ele deixou aos descendentes a missão de encontrar a verdade. “Foi um baque, mas também um alívio poder enterrá-la simbolicamente”, relata a publicitária.

Hoje, Cristina e os irmãos esperam a instalação de uma Stolperstein – pequena pedra de bronze com o nome da vítima – em frente à antiga casa da família em Berlim. O bloco, que traz QR Code com informações históricas, deve ser colocado ainda este ano.

A publicitária também planeja visitar o memorial de Auschwitz, embora admita não estar psicologicamente pronta. “Meu pai já me disse que é um lugar muito pesado. Lá, tudo o que aprendemos na escola ganha forma”, afirma.

Para ampliar a conscientização, Cristina gravou um vídeo no TikTok que ultrapassou 2 milhões de visualizações. Professores passaram a usar o material em aula, e descendentes de judeus a procuram para compartilhar experiências. “O Holocausto parece distante, mas os filhos e netos das vítimas ainda estão aqui”, ressalta.

Ela teme o ressurgimento de discursos de ódio semelhantes aos que levaram ao extermínio de seis milhões de judeus. “Manter a memória viva é nossa forma de impedir que a história se repita”, conclui.

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Crédito da imagem: Foto: Arquivo pessoal

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